Gastos semanais: Semana #3 (19 a 25 de Maio de 2018)

Nota: como habitualmente, os valores em geral são arredondados.

Antes de começar: além do ordenado e dos lucros dos meus projectos (cujos valores, obviamente, não posso especificar), esta semana entraram também 416€ dos investimentos/poupanças que tinha, e que vendi/levantei. Pôr X% todos os meses em poupanças/investimentos é tudo muito bonito, mas enquanto há dívidas “más” (basicamente, tudo menos a casa), depois de se juntar um fundo limitado para emergências, na minha opinião o dinheiro é muito mais bem empregue a pagar o máximo possível dessas dívidas — cujos juros ao mês são, infelizmente, bem maiores do que aquilo que o equivalente em investimentos pode alguma vez render mensalmente.

Gastos na conta bancária:

  • 600€ – pagamento de cartões de crédito (2 dos 3; ainda estou à espera do extracto do 3º. Sim, podia pagar já, a entidade/referência é sempre a mesma, mas prefiro esperar mais um dia ou dois.) 1 E, antes que pensem que ganho imensamente bem, eu nunca poderia pagar tanto se não fosse o levantamento dos investimentos, mencionado acima…
  • 44€ – seguro de saúde (mensal)
  • 8€ – almoço (num dia em que, por distracção, usei o multibanco em vez do cartão de refeição)
  • 33€ – água (mensal)

Gastos no cartão de refeição:

  • 30€ – 4 refeições

Gastos no cartão de crédito:

  • 110€ – encomenda de supermercado
  • 23€ – assinatura de 2 créditos no Audible (actualmente todos os audiobooks que compro são sobre finanças pessoais ou desenvolvimento pessoal, por isso acho que é um investimento que vale a pena, e assim fica mais barato do que comprar audiobooks individualmente) (mensal)
  • 8€ – audiobook comprado no Audible (parece que me estou a contradizer, não é? Mas o preço deste audiobook em particular era menos do que o de um crédito (pela assinatura), por isso preferi comprar assim e guardar o crédito para uma próxima oportunidade)
  • 8€ – comics assinados no Comixology

Gastos totais864€. Ouch. 🙁 Pelo menos, uma boa parte foi para reduzir dívidas de cartões — neste momento, faz sentido pagar tanto quanto possível, cada mês, até eliminar essas dívidas, já que os juros não são brincadeira.

Gastos em entretenimento (em que não incluo os audiobooks, neste momento — são todos sobre coisas “sérias”): 8€. Nada mau, parece-me; afinal, podia ter sido pior. 🙂

Este blog já me poupou dinheiro! :)

Ontem, ao fim do dia (naquele período indefinido entre o jantar e o “é melhor ir dormir, amanhã é outra vez dia de trabalho“) estava a alternar entre ler umas coisas no tablet e jogar outras coisas no mesmo tablet, quando abro uma certa aplicação, que reproduz vários livros-jogo da minha adolescência; a app em si (“Fighting Fantasy Classics“, existe tanto em iOS como Android) é grátis, mas cada livro depois custa 4.49€, o que até é (acho eu) um bom preço em comparação com o que eles custavam (em árvores mortas) nos anos 80, além de a app ter outras funcionalidades (audiovisuais, bookmarks, dados automáticos, etc.) que tornam a experiência ainda melhor.

Quando a app saiu há uns meses (antes de estar a levar estas coisas a sério, e bem antes de começar este blog), comprei logo vários dos livros (aqueles de que me lembrava melhor — grande parte do apelo disto para mim, confesso, é nostálgico), mas sempre tive a intenção de um dia ter todos, incluindo os que fosem saindo depois da primeira versão da app (já foram lançados mais uns, entretanto). Mas confesso, também, que ainda não tive tempo de jogar nenhum deles (excepto começar um para ver como funcionavam na app). Voltando à história: ontem à noite abri a aplicação, comecei a ler/jogar um dos outros que já tinha comprado (não o que tinha usado há meses para experimentar), estava a saber mesmo bem… e logo me veio à cabeça: “porque não comprar mais um, agora?” Era só tocar no botão de compra, e podia tê-lo no tablet, disponível, em menos de um minuto (sendo o valor descontado no cartão de crédito)…

Isto sem ter sequer aberto os vários que já comprei, repito. E tendo já outros jogos deste tipo no tablet e telemóvel, a maior parte dos quais também sem serem “explorados” a sério. Mas, ei, uma pessoa pensa: eventualmente quero tê-los todos, isso já está mais que decidido (e mantém-se). Tenho dinheiro neste momento. Sim, estou actualmente a poupar, há que “limpar” os cartões de crédito, mas 4 euros e meio não são o fim do mundo. Vai saber bem. Porque não?

Se isto fosse um desenho animado, estaria um diabinho no meu ombro a dizer-me essas coisas. 🙂

Sabem o que é que me impediu de comprar? Nem foi tanto a lógica de não fazer sentido comprar entretenimento quando ainda não fiz nada com o que já tenho do mesmo género, somente porque no momento sabe bem sentirmos que temos uma coisa nova. Na altura, nem me lembrei disso (em minha defesa, já era noite, e o dia tinha sido longo).

Foi, sim, outra coisa completamente diferente: hoje (sexta-feira) é o dia de postar aqui no blog sobre os gastos semanais (na conta bancária, cartão de refeição, e cartões de crédito). E pensei: como é que iria justificar uma nova despesa num jogo 1? Como é que isso poderia não parecer ridículo: estar para aqui a escrever sobre poupança e frugalidade, e depois gastar dinheiro de uma forma totalmente impulsiva em 1) algo de que não preciso, 2) tendo outros parecidos ainda por abrir, e 3) sem ter quase tempo nenhum para estas coisas, actualmente?

Portanto, este blog já foi útil. 🙂 E tenho de agradecer aos leitores/as que já tenho, já que, se soubesse que ninguém lê isto, talvez tivesse agido de forma diferente. 😉

Blog #2: No More Harvard Debt

Hesitei em incluir este blog já no #2 desta série, porque 1) é relativamente “avançado” em termos do desafio quase extremo de frugalidade que o autor fez a si mesmo (e do qual esteve à altura), o que pode de alguma forma ser desmoralizador para certos tipos de pessoas 1, e 2) eu próprio ainda não o “acabei” (só vou em Dezembro, 4 meses depois de o blog começar). Mas achei-o tão inspirador (e desafiante), que não resisti a partilhá-lo já.

O blog, portanto, chama-se No More Harvard Debt, e começa em 2011, com este personagem, nos seus 20s, recém-formado na Harvard Business School, e com um bom emprego, mas com um empréstimo estudantil de cerca de $90K. Ele decide, então, desafiar-se a pagar todo esse empréstimo em 10 meses, custe o que custar… e o blog vai contando as peripécias dele ao longo desses 10 meses.

Entre outras coisas, ele:

  • levanta todas as poupanças-reforma que tinha (mesmo com a penalização por as levantar antes dos 60) e usa-as para pagar logo uma boa parte da dívida;
  • “desliga” as contribuições automáticas para essas poupanças, também (nos EUA a maior parte dos empregadores oferece essa possibilidade, e até contribuem com um equivalente (até certo ponto) da parte deles, pelo que em situações normais faz todo o sentido contribuir o máximo que se pode… mas não nesta situação. Incidentalmente, vejam o meu post das “despesas semanais” amanhã…);
  • aluga 2 quartos da sua casa a completos desconhecidos;
  • vende a mota e um dos carros (tudo já pago, mas já com uns bons anos — ele consegue $10K por ambos, no total);
  • consegue uma promoção no trabalho;
  • experimenta vários “segundos empregos”;
  • reduz o orçamento mensal de entretenimento de mais de $1000(!) para $50-$100;
  • passa a levar um “flask” de whisky ao sair à noite com os amigos, passando a pedir só Coca-Colas (ele é um tipo mais extrovertido e bastante “social”, e escolhe não deixar completamente de sair), além de habituar os amigos à ideia de que não há cá rodadas pagas (nem as aceita da parte deles);
  • falta a vários casamentos de amigos e colegas (por implicarem viagens grandes, prendas, etc.);
  • saídas com o sexo oposto passam a ser bastante mais raras: não sei se parte disso vem da cultura ultra-consumista dos EUA, mas segundo ele a maior parte das mulheres americanas nos 20s não está muito virada para “ei, vamos fazer uma caminhada?” como primeiro encontro 🙂 , está à espera de coisas mais tradicionais — e mais caras.

E isto é até onde já li (Dezembro, como disse acima); de certeza que há mais mudanças para vir. O blog tem a particularidade de ter princípio, meio e fim (spoiler: ele consegue pagar tudo nos 10 meses propostos), e faz uma boa história; ele ainda postou mais umas vezes depois de acabar o desafio, mas só muito esporadicamente (o último post, neste momento, é de 2016).

Acho que é uma história inspiradora, se bem que pode até “assustar” um pouco, como disse no início; faz com que sintamos que ainda não fizemos “nada” em termos de poupanças. Por exemplo o meu próprio auto-desafio, de pagar <3500€ de dívidas de cartões de crédito até Novembro, é uma piada ao pé do dele — é algo que provavelmente daria para concluir um ou dois meses mais cedo, com mais dedicação e, sim, sacrifício.

Claro que (lá vêm as desculpas 🙂 ) algumas coisas nesse blog só se aplicam aos EUA, e outras só ao caso específico dele (nos 20s e com toda a energia e tempo livre dessa idade, MBA, bom emprego, zero dívidas (fora a casa) além dos tais empréstimos estudantis, 3 veículos pagos na garagem, e uma personalidade extrovertida.) Por exemplo, não me imagino mesmo a alugar quartos na minha casa: já tenho outro tipo de vida, além de precisar muito do meu espaço, privacidade, etc.. Segundos empregos (com horários) também não me parecem viáveis, mas posso (e quero) aumentar o rendimento dos meus vários projectos. Ainda tenho de ver o que posso vender (carros, motas e afins não há, mas tenho de ir explorar a arrecadação). Aumentos, só mudando de emprego, mas por outro lado dou muito valor ao facto de trabalhar ao pé de casa, poupando imenso em termos de tempo, gasolina e stress. E assim por diante.

Enfim. Se querem ver como foi possível pagar $90K em 10 meses, e todas as peripécias passadas (e ele faz várias coisas que não resultam, não dão em nada, ou até são contra-producentes, acreditem — está longe de ser um caminho perfeito), e querem ler isso como uma história (ou pelo menos uma colecção de “entradas de diário” — já parece um dos meus livros preferidos de sempre 🙂 ), recomendo vivamente este blog — comecem pelo primeiro post, e vão usando os links de “post seguinte” 2. Eu, pelo menos, estou a gostar (cada dia tenho lido mais uns posts, por ordem cronológica, normalmente à noite). 🙂

Maximização da relação poupança/sacrifício

Já mencionei por alto este conceito uma ou duas vezes aqui no blog; é altura de um post mais detalhado sobre isso, por isso vamos lá:

Maximização da relação poupança/sacrifício 1 é a ideia de que, ao se tentar reduzir os gastos, faz sentido começar pelos que vão fazer “maior mossa” no total das despesas regulares — e com o menor “custo” na nossa alegria de vida.

Por outras palavras: quando alguém decide passar a poupar (seja para pagar uma dívida, seja para juntar para alguma coisa, seja por qualquer outra razão), em geral começa por ver onde pode cortar. Coisas supérfluas e mais caras são em geral as primeiras; depois, se necessário e/ou desejado, começa-se a cortar em coisas que nos fazem mais falta e/ou que não custam assim tanto dinheiro. Isto é algo que em geral fazemos “em cima do joelho”, não estamos a fazer nenhum tipo de cálculos ou listas. Desta forma, é bem provável que as coisas que nos vêm primeiro à cabeça para cortar não sejam as mais “eficazes” em termos de poupança. A minha ideia é tentar fazer isto de uma forma ligeiramente mais pensada — sem entrar em grandes formalismos ou matemática, coisas que não são tanto o meu forte.

Se pensarmos uns segundos em coisas que poderíamos alterar na nossa vida para reduzir gastos, de certeza que nos virão várias coisas bem diferentes à cabeça:

  1. umas que teriam algum efeito, mas “nem pensar”;
  2. outras que se suportavam bem, mas a poupança seria insignificante…
  3. … e, idealmente, algumas que estão no ponto certo: até se conseguia sem grande sacrifício, e a poupança seria “palpável”.

Mas o mais provável é que, se já começámos a poupar há algum tempo, já não nos venha (facilmente, pelo menos) à cabeça nenhuma coisa do 3º tipo.

Então, como determinar onde é que é mais “eficiente” atacar a seguir? Isto vai ser super-básico, foi o que acabou de me vir à ideia, e sem dúvida que é possível fazer bem melhor… mas vamos lá:

  1. faz uma lista das coisas que te vêm à cabeça para alterares na tua vida, de forma a poupar (deixar de consumir X, deixar de pagar por Y, etc.). Inclui mesmo as “nunca na vida”, por enquanto (já lá vamos);
  2. numa folha (ou .txt, ou .xlsx, ou onde quiseres), ordena as “coisas” por ordem decrescente de poupança (ou seja, pondo no início o que permitiria poupar mais);
  3. noutra folha (ou .txt, ou…), ordena as mesmas coisas, mas desta vez por ordem crescente de sacrifício/stress/como lhe quiseres chamar. Ou seja, começa pelas coisas mais fáceis/menos stressantes;
  4. em cada uma das folhas, trata a posição como o número de “pontos”: 1 ponto para a que ficar em primeiro, 2 pontos para o 2º lugar, etc.. Soma os pontos de cada uma das ideias em ambas as folhas (ex. se a alteração X é aparece em 2º lugar na primeira folha, e em 4º lugar na segunda folha, a pontuação dela será 2+4 = 6 pontos.
  5. como deve ser óbvio neste momento, os pontos aqui são “maus” — vêm de poupar menos, ou de nos custar mais. Portanto, vamos ordenar a lista de ideias, numa terceira folha (ou .xlsx, ou…) pelos pontos de cada ideia (da soma das duas primeiras folhas), por ordem crescente (i.e. menos pontos no topo).
  6. o resultado indicará, por alto, a ordem mais lógica das alterações a fazer na vida, estando no início as coisas que permitem poupar mais com menos sacrifício, e no fim as que provavelmente “não valem o esforço”, por assim dizer.

No fim, e assumindo que se está a levar a poupança a sério, vai-se pôr outra questão: onde parar? Ou seja, já temos a ordem, já sabemos onde “atacar” primeiro, mas eventualmente (depois de “limpar” as primeiras coisas da lista) chegar-se-á a um ponto em que a poupança será mínima e o sacrifício será significativo. Deve-se continuar? Isso deixo, obviamente, a cada um. 🙂 Só sugiro que, depois de certo ponto da lista, é bem possível que o nosso tempo e esforço possam ser (mesmo falando somente em termos financeiros) melhor empregues…

Já agora, a maior parte das alterações não têm de ser “binárias”; isto é, se, por exemplo, se achares que o que poupavas em cortar completamente os cafés da manhã não compensa o facto de eles te fazerem imensamente bem “à alma”, então talvez possas chegar a um meio-termo, em que só vais parte dos dias da semana, ou bebes o café mas não comes nenhum bolo, ou coisa parecida.

No meu caso, por exemplo, não estou mesmo nada virado para trazer marmita de casa (algo que em termos das listas anteriores teria muitos pontos em termos de sacrifícios/stress — acreditem), mas posso, no restaurante, passar do menu prato+bebida+sobremesa+café para o simples prato — não só pouparia 2€ por dia, como seria bom para a saúde. Um dia ou outro apetece-me mesmo a refeição completa? Sem problemas, desde que seja esporádico, e não 90% das vezes. 🙂

(Muitas vezes, em determinadas áreas, também é possível conseguir o equivalente por muito menos dinheiro, ou até mesmo de graça, mas isso foge ao âmbito deste post.)

O factor galão

Galão
Imagem: Ondřej Žváček

O factor galão (ou latte factor, em inglês 1 — ou fator galão segundo o Acordo Ortográfico) é o termo que o autor David Bach (O Milionário Automático, etc.) arranjou para a ideia de que pequenos gastos no dia-a-dia não são desprezáveis e podem, ao longo do tempo, fazer uma diferença enorme na situação financeira de cada um — mesmo parecendo “tão pouco”.

Quantas pessoas conhecemos — e talvez nos possamos incluir a nós próprios nelas — que saem de casa em jejum (ou quase), chegam de manhã cedo ao trabalho, e depois vão logo a seguir para o café mais próximo, porque “antes do café, não me digam nada!“, onde, além de um galão (lá está) ou semelhante, não dispensam um queque, ou um pastel de nata, ou uma sandes. Possivelmente levam mais qualquer coisa para o meio da manhã e/ou para a tarde, isso se não voltarem ao café às 11 da manhã para o “segundo pequeno-almoço” 2. Provavelmente comem pouco ao almoço (afinal, quem é que tem fome tendo comido há relativamente tão pouco tempo?), por isso pelas 16h a fome regressa e, caso não tenham já comprado o lanche de manhã, não dispensam voltar ao café, onde vai mais um bolo, sandes, café, galão, cappuccino, etc..

O problema é que esses pequenos-almoços e lanches são tudo menos baratos… e, no fim do mês, fazem diferença. É fácil uma pessoa gastar 4 ou 5 euros de cada vez (possivelmente até mais), o que, duas vezes por dia, em 20 dias úteis, dá uns 200€ por mês — 300€ se a pessoa não dispensar as idas ao café também nos fins de semana.

Pensem um pouco, se quiserem — sobretudo se o que ganham vos chega “à justa” — em como um aumento de 300€ líquidos poderia facilitar as vossas vidas. Em como cada mês poderia ficar bastante mais folgado. Em como poderiam, todos os meses, poupar mais, ou pelo menos pagar dívidas mais depressa. Pensem no que teriam de fazer, nos vossos trabalhos, para conseguir das chefias um aumento tão significativo, ou — caso recebam em função do trabalho produzido — quantas mais horas teriam de trabalhar todos os meses, para ganhar essa quantia adicional.

E isso é só num mês. Em um ano, seriam 3600€ a mais. Em 10 anos (mesmo sem contar com ganhos de investimentos, que não seriam de se deitar fora), 36000€, obviamente — o que já daria, provavelmente, para eliminar grandes problemas da vida… ou ficar um ano ou dois sem trabalhar, para experimentar criar o próprio negócio, ou simplesmente descansar uns tempos. Ou, simplesmente, para aproximar a independência financeira em 36000€.

Agora, de certeza que alguns dos leitores/as estão a pensar “sim, isso é tudo muito bonito, mas o galão e os bolos são dos grandes prazeres da minha vida, são o que me permite aguentar o dia-a-dia; eu sei que se cortasse poupava dinheiro, mas não teria uma vida que consideraria suportável. (E quem és tu para falar, que já disseste aqui que almoças ao pé do trabalho todos os dias?)

Ao que eu respondo… tudo bem. Não estou aqui para — nem é o objectivo do blog — julgar ninguém (eu próprio já me julgo a mim próprio demais, acreditem). Como se falou recentemente nos comentários aqui, cada um tem os seus próprios valores, as suas próprias prioridades, e tem de decidir por si próprio até onde ir, em termos de poupança — o que é que lhe é “vital”, e o que lhe é apenas “desejável”. E eu próprio (e talvez isso mereça outro post no futuro) sou a favor de se maximizar a relação dinheiro poupado/intensidade do sacrifício, pelo que se têm outra coisa em que podem poupar mais e/ou “sofrer” menos com a alteração… força, vão por aí. E se depois disso quiserem/precisarem de poupar ainda mais, voltem a olhar para esta questão (ou para qualquer outra) — o “ganho” será menor e/ou o sacrifício será maior, mas mesmo assim pode valer a pena. Ou não.

A ideia deste post, portanto, é apenas chamar a atenção de que gastos regulares deste tipo são, ao longo do tempo, muitas vezes bem maiores do que podem parecer à primeira vista. No caso do “galão” (ou, mais precisamente, as idas ao café, duas vezes por dia), conheço efectivamente quem 1) tem esse hábito, e 2) queixa-se do estado das suas finanças, e provavelmente dava tudo para ter mais 300€ por mês… mas não vê a ligação entre as duas coisas.

(E, sim, no meu caso também posso fazer melhor (não nas idas ao café, que já não existem, mas noutras coisas) — tenho de ver onde “atacar”.)

Blog #1: Mr. Money Mustache

(Bem-vindos/as à nova secção do OvelhaOstra: blogs! Tinha-os mencionado quase como um “afterthought” aqui (depois dos livros e podcasts), mas nunca dá para prever a minha própria cabeça, por isso… aqui vai.)

O primeiro blog a ser mencionado não podia, acho eu, ser outro senão o Mr. Money Mustache (ou MMM). Afinal, não só é um dos grandes “fundadores” modernos de todo o conceito de FIRE (Financial Independence/Retire Early), como o blog dele é, basicamente, a razão pela qual me passei a interessar por estes temas — poupança, frugalidade, investimentos, e, claro, a possibilidade de atingir um dia a independência financeira. Ou seja, sem MMM não haveria OvelhaOstra 1.

Como se não bastasse, acho que o blog dele faz (lido por ordem, do primeiro post até ao mais recente, usando os links de “next post“) uma leitura fascinante, que se termina em poucas horas. É informal, até um pouco agressivo (num bom sentido, acho eu), tem sentido de humor, histórias fascinantes para contar, e é impossível não pensar, frequentemente, “eu também consigo fazer isto.” (ou “porque é que só agora é que estou a ouvir isto?“…)

Acho que servirá de inspiração — e fonte de ideias — para qualquer um, quer seja alguém que já se interesse por isto, ou apenas alguém frustrado com a vida, tipo “já trabalho há anos, (possivelmente) até ganho acima da média do país, mas cada mês tenho de passar a última semana a contar tostões; parece que quanto mais ganho mais gasto; os meus cartões de crédito estão sempre no limite; se tivesse uma emergência não saberia o que fazer…” Sim,  uma forma melhor de agir. E, começando bem cedo (nos 20s), acho que, mesmo em Portugal (com os nossos ordenados relativamente baixos, mesmo levando em conta o custo de vida também reduzido), é possível chegar à independência financeira (o que, mais uma vez, não implica que nunca mais se trabalhe na vida) pelos 40 ou isso. (Estando já nos 40s, para mim vai ser mais complicado, mas mesmo assim espero 1) “reformar-me” antes da idade de reforma normal, e 2) não depender da reforma que possa vir a receber. Veremos…)

Um exemplo de um post dele ao qual volto com alguma frequência é este (já de 2012): News Flash: Your Debt is an Emergency!! 2 O melhor, obviamente, é lerem o post, mas muito resumidamente ele critica quem (como eu 🙁 ) tem dívidas de cartões de crédito (ou outras dívidas “más” em geral — a única “boa” é possivelmente a da casa) e, mesmo assim, continua a ter uma vida normal. O exemplo que ele conta é de um colega na faculdade que lhe pediu dinheiro emprestado para pagar as propinas, mas depois continuou a viver a vida “normal” de estudante, a sair à noite, “borgas”, comer fora, etc. – quando ele tinha suposto que o amigo iria viver uma vida frugal ao máximo, de forma a pagar a dívida o mais depressa possível. Segundo o MMM, o amigo acabou por pagar tudo, a questão nem foi essa; foi, sim, o facto de que ele se apercebeu que “as pessoas normais” vivem muito melhor com dívidas do que ele. Para ele, dívidas (sobretudo de cartões de crédito, com os seus juros altíssimos e pagamentos mínimos que só pagam os juros, sem sequer reduzir a dívida) não são algo que “se vai gerindo“, são uma emergência a resolver urgentemente — a comparação que ele faz é estar a ser mordido por um enxame de abelhas assassinas. 🙂

Eu confesso que, apesar de mais de 3000€ de dívidas de cartões de crédito, ainda não entrei em “modo emergência”: continuo a almoçar fora no trabalho (mesmo sendo relativamente barato, e vindo quase tudo do cartão de refeições do empregador, que em geral não dá para ser usado para muito mais do que restaurantes), continuo a ter uma alimentação para além de “feijão em lata, arroz e água”, continuo a ocasionalmente passear, ir de férias (mesmo tendo mais atenção aos gastos do que antigamente), etc.. Mas sei que é possível fazer muito melhor — e o blog #2 (coming soon) será um óptimo exemplo prático disso.

Anyway: Mr. Money Mustache, senhoras e senhores. Recomendo mesmo que comecem pelo primeiro post, e leiam o blog todo — são só umas horas (na minha opinião) bem passadas. Também podem ver a lista de posts (ler de baixo para cima).

Evolução mensal das dívidas #1 (30 de Abril de 2018)

Saiu hoje o mapa de responsabilidades de crédito de Abril, por isso… bem-vindos/as ao primeiro post da série “Evolução mensal das dívidas”, em que listo (de forma arredondada, sempre) as dívidas actuais (créditos e cartões de crédito), e comparo as mesmas com a situação no mês passado. Sendo este o primeiro post da série, a comparação será com o post Situação actual, e planos gerais com que (mais ou menos) comecei o blog, mas vai dar ao mesmo.

Sendo assim, aqui vai:

  • Cartões de crédito: 3275€ (menos 240€ que no mês anterior)
  • Créditos: 31045€ (menos 220€ que no mês anterior)
  • Carro: 666€ (menos 333€ que no mês anterior)

(Nota: já tinha contado no post anterior com a prestação do carro paga no fim de Abril, mesmo não estando ainda disponível o mapa, por isso não há alteração desde então. A próxima será no fim de Maio.)

Cartões + carro: 3941€. (Menciono isto em separado devido ao objectivo que indico no fim do post.)

Total em dívida (incluindo as 2 prestações finais do carro): 34986€.

Evolução dos cartões de crédito + carro: menos 573€.

Evolução total desde o fim de Março: menos 773€. Não foi mau, por um lado, mas por outro lado foi o mês em que recebi o reembolso do IRS; não teria conseguido reduzir tanto se não fosse o dito. Por (ainda) outro lado, tive as férias no início de Maio, onde gastei mais de 150€ (e isto numa casa de familiares emprestada), além de que só mais recentemente é que comecei a melhorar a frugalidade relativa ao entretenimento.

Para já, o objectivo continua a ser acabar Novembro com as dívidas dos cartões 1zero. Não vai ser fácil (até porque se metem as férias de Verão), mas acredito que vou conseguir. 🙂

Gastos semanais: Semana #2 (12 a 18 de Maio de 2018)

Nota: como habitualmente, os valores em geral são arredondados.

Gastos na conta bancária:

  • 16€ – farmácia (anti-histamínicos e spray nasal de água do mar… alergias suckam. 🙁 )
  • 110€ – electricidade (no mês passado não reportei a leitura, e isto ainda são restos de umas experiências que fiz em casa a minar criptomoedas há uns bons meses. O meu valor normal anda à volta de 55€; imagino que para o mês que vem não pague nada. E, sim, agora já tenho um alarme configurado para não me voltar a esquecer.) (mensal)
  • 19€ – Via Verde (tive uma semana de férias no início do mês, no Alentejo) (mensal, quando há)
  • 25€ – reforço do cartão de crédito (dará para ver porquê na secção sobre o mesmo; este é o cartão de crédito das coisas que assino, e tem sempre de ter alguma folga.)

Gastos no cartão de refeição:

  • 40€ (5 refeições)

Gastos no cartão de crédito:

  • 7€- comics assinados no Comixology
  • 15€ – Kickstarter 1

Total: 232€

É algum dinheiro, mas até acho (tentando ser generoso comigo próprio) que não foi assim tão mau. Férias são raras. O Kickstarter foi esporádico. A electricidade, além de ser mensal, por não ter dado a leitura do mês passado foi como se tivesse feito um “adiantamento” sobre o próximo mês, no qual espero não pagar nada ou quase nada. E consegui não mexer nos outros cartões de crédito…

Vendo a coisa de outra forma: os únicos gastos em entretenimento foram os do cartão de crédito: 22€. Podia ser bem pior. 🙂