Pagar dívidas: por que ordem? (parte 3: cartões de crédito)

(Naturalmente, ler a parte 1 e a parte 2 primeiro — caso contrário, não saberão quem é o Zé, nem a situação actual dele.)

Como vimos na segunda parte, o Zé ganha 1500€ líquidos, mas, desses 1500€, usa logo 840€ para pagar as várias dívidas que tem (ou, no caso dos cartões de crédito, os pagamentos mínimos). Restam-lhe 660€ para o mês todo: contas da casa (água, electricidade, gás, telecomunicações), supermercado (alimentação e produtos para a casa), transportes e entretenimento — que, como o Zé não é muito frugal, em geral não são suficientes. Mas, esperem! Os 840€ para as dívidas incluem 190€ de pagamentos mínimos dos cartões de crédito, e os juros somados dos mesmos são “só” 80€… pelo que restam 110€ disponíveis nos cartões depois de o Zé os pagar, dinheiro esse que ele é “obrigado” a usar durante o mês — caso contrário, o restante do ordenado não seria suficiente.

Espero que esteja a ser mais que óbvio a todos os leitores, até agora, que, sem uma mudança de vida radical, o Zé nunca vai sair do buraco; muito pelo contrário, vai-se afundar cada vez mais.

Mas, vamos tentar dar um final feliz a esta história. O Zé abriu os olhos (mais vale tarde que nunca), apercebeu-se da armadilha em que caiu há anos, e decidiu fazer tudo para sair do buraco.

O primeiro passo, e aqui não há volta a dar, terá de passar por ter mais dinheiro (de “sobra”) todos os meses. A primeira coisa a fazer deverá ser sempre aumentar a frugalidade, de forma a gastar bastante menos por mês. Formas de o fazer fogem ao âmbito deste post; eventualmente a categoria “Frugalidade” deste blog terá mais informação, mas para já sugiro que leiam blogs e livros sobre o assunto. (Note to self: editar esta parte quando essa categoria estiver devidamente preenchida 🙂 )

(A alternativa é arranjar outras fontes de rendimento além do ordenado (ou aumentar as que já existam). Ou, idealmente, fazer ambas as coisas. Para este exemplo, vamos assumir só a frugalidade, mas no fundo o que conta é quanto dinheiro se consegue ter “a mais” do que se tinha, venha de uma coisa, de outra, ou de ambas.)

Vamos, portanto, assumir que, apesar de só ter “descoberto” o conceito de frugalidade anos mais tarde do que devia, o Zé até é um tipo inteligente e com força de vontade, que rapidamente identifica para onde é que estava a ir grande parte do dinheiro (idas ao café? Sorry, não resisti 🙂 ), cortou o que não é essencial na sua vida, arranjou alternativas mais baratas para o que é essencial, e com isto conseguiu reduzir os seus gastos mensais de 770€ (660€ mais 110€ usando os cartões, lembram-se?) para 400€.

Essa pode não parecer uma grande mudança (e sem dúvida que vamos querer fazer mais), mas já permite ao Zé uma alteração importantíssima: não depende mais dos cartões de crédito. Mesmo que continue a pagar só o mínimo de cada um, já significa que a dívida dos mesmos desce todos os meses. Desce bem devagariiiiinho… a pagar só o mínimo, ainda demorará anos a eliminar. Mas já desce, o que não acontecia antes.

Mas, naturalmente, o Zé quer, e vai, fazer melhor. Se lhe sobram 660€ depois de pagar as dívidas todos os meses, e ele vive com 400€, então restam-lhe 260€, que ele vai usar para tentar livrar-se dos créditos o mais depressa possível.

Por onde começar, entao? A ordem que faz sentido, em geral, é: cartões de crédito -> créditos pessoais -> possivelmente o crédito da casa (já lá vamos), por isso, comecemos pelos cartões (que estão todos no limite):

banco ABC: crédito de 2000€, TAN de 25%, pagamento mínimo de 3% (60€), 41.66€ vão para juros;
banco DEF: crédito de 1000€, TAN de 15%, pagamento mínimo de 5% (50€), 12.50€ vão para juros;
banco GHI: crédito de 1600€, TAN de 20%, pagamento mínimo de 5% (80€), 26.66€ vão para juros.

OK, qual “atacar” primeiro? Como vimos na parte 1, há dois métodos considerados eficazes: 1) bola de neve (pagar primeiro o crédito mais pequeno) e 2) avalanche (pagar primeiro o crédito com juros maiores). Se o Zé escolhe o primeiro método, vai usar os 260€ que lhe restam para pagar essa quantia (além do mínimo) no cartão DEF; se preferir o segundo método irá para o cartão ABC.

E este mês… é tudo. Para o mês que vem, e assumindo que o Zé manteve a frugalidade e que continua a viver com 400€ por mês, chega outra vez a altura de pagar as mensalidades das dívidas. Mas, esperem! Como o Zé não usou os cartões, pagou o mínimo em dois, e pagou um deles acima do mínimo, a situação dos mesmos mudou um pouco:

Se escolheu o método bola de neve (crédito DEF primeiro):

banco ABC: crédito de 1981.66€, TAN de 25%, pagamento mínimo de 3% (59.44€), 41.28€ vão para juros;
banco DEF: crédito de 702.50€, TAN de 15%, pagamento mínimo de 5% (35.12€), 8.78€ vão para juros;
banco GHI: crédito de 1546,66€, TAN de 20%, pagamento mínimo de 5% (77.33€), 25.77€ vão para juros.

Pagamento mínimo total: 171.89€ (antes era 190€).

Se escolheu o método avalanche (crédito ABC primeiro):

banco ABC: crédito de 1721,66€, TAN de 25%, pagamento mínimo de 3% (51.64€), 35.86€ vão para juros;
banco DEF: crédito de 962.50€, TAN de 15%, pagamento mínimo de 5% (48.12€), 12.03€ vão para juros;
banco GHI: crédito de 1546,66€, TAN de 20%, pagamento mínimo de 5% (77.33€), 25.77€ vão para juros.

Pagamento mínimo total: 177,09€ (antes era 190€).

(Nota: não pensem que, se o pagamento mínimo ficou menor no método bola de neve, então esse é necessariamente mais eficiente. Pelo contrário, esse método implicará pagar um pouco mais em juros a longo prazo. A vantagem do método bola de neve é sobretudo psicológica, por possibilitar “quick wins”.)

No mês 2, portanto, a história repete-se: o Zé vive com 400€, e depois de pagar o mínimo das dívidas, restam-lhe 260€ para um pagamento adicional num dos cartões… e não só. Os pagamentos mínimos dos cartões baixaram todos um pouco, pelo que resta ao Zé também essa diferença (18.11€ no método bola de neve, ou 12.91€ no método avalanche). Ou seja, o Zé vai pagar, ao todo, 278.11€ ou 272.91€ além do mínimo no cartão que escolheu “atacar” primeiro.

No mês 3 tudo continua: dois cartões baixaram ligeiramente, o terceiro baixou de forma mais significativa, os juros baixaram, os pagamentos mínimos também, e portanto sobra mais dinheiro ao Zé para pagar o cartão prioritário.

E no mês 4… estão a ver como vai acumulando, e ficando um pouco mais fácil cada mês? Claro que é importante manter a frugalidade, sem nunca pensar “hmm, já podia fazer uma compra de 500€ com este cartão, e ando mesmo a ‘precisar’ de um X…“. Mas, assumindo que se consegue, eventualmente um dos cartões estará completamente pago (no caso do Zé, pelo método bola de neve devem ser só uns 4 ou 5 meses para “matar” o cartão DEF — já fiz muitas contas para hoje, daí não dar uma duração exacta 😛 ; com o método avalanche o cartão ABC demorará mais). Com um cartão pago, sobrará bastante mais para pagar os dois que restam, e mais ainda quando restar só um. E, eventualmente, é como se o Zé tivesse sido “aumentado” em 190€.

De forma a garantir que não volta a passar por isto, o Zé, a seguir, vai aos sites de homebanking dos vários cartões (ou telefona, ou vai mesmo aos bancos — há quem prefira), e altera os pagamentos mínimos dos vários cartões de 3-5% para 100%. No futuro, pode usar os cartões por conveniência (por exemplo, para comprar algo na internet), mas nunca mais os usará para comprar agora e pagar no futuro, nunca para coisas que não poderia pagar a pronto nesse momento. E, acima de tudo, nunca mais pagará juros dos cartões.

É agora altura de olhar para os créditos pessoais…

(Pois é, não consegui evitar chegar a uma parte 4, na qual espero finalmente terminar esta série, abordando os assuntos que faltam: créditos pessoais, e “devo tentar pagar a casa antecipadamente?“. To be concluded…)

A seguir: parte 4: créditos pessoais e crédito habitação.

Pagar dívidas: por que ordem? (parte 2: um exemplo prático)

Leram a parte 1 primeiro? Muito bem! 🙂

Vamos, então, inventar aqui um personagem fictício (e, não, antes que pensem, não sou eu com algumas alterações cosméticas; entre outras coisas, não estou a pagar a casa. (Além de que já mostrei as minhas próprias dívidas, infelizmente bem maiores (excepto a parte da casa), nos posts sobre a evolução mensal das dívidas.) Claro que haverá sempre uma ou outra coisa em comum; afinal, uma pessoa fala sempre com mais confiança do que conhece), cuja situação, parece-me, será familiar a muitos portugueses (possivelmente não, como disse na primeira parte, a maioria dos leitores/as actuais deste blog). Sendo um nome comum cá por Portugal, chamemos a esse personagem ““.

A história do Zé, infelizmente, é tudo menos inédita. Acabou os estudos, arranjou um emprego, foi até em geral subindo na carreira (com uns altos e baixos aqui e ali, mas isso é normal), mas no meio disso veio também uma vida com alguns excessos aqui e ali, competição com amigos e colegas, talvez algum casamento ou namoro de vários anos que não deu certo, e, no meio de tudo isso, cartões de crédito. Sempre os cartões de crédito. De tal forma que, finalmente, o Zé olhou para a sua vida em termos financeiros (ei, mais vale tarde que nunca), e apercebeu-se de que, apesar de até ganhar (tanto quanto sei) acima da média de Portugal, está neste momento a viver uma vida mais “pobre” do que tinha há uns 10 anos, quando ganhava menos. E apercebeu-se, também, da causa disso: mais de metade do seu ordenado vai só para pagar créditos e cartões de crédito. No caso dos cartões, para pagar o mínimo, ou pouco mais — o que faz com que essas dívidas, para todos os efeitos, praticamente não desçam.

Mas, pronto, o Zé “acordou para a vida”, identificou o problema, e decidiu resolvê-lo o mais rapidamente possível (já que neste momento esse problema “estraga-lhe” a vida toda; é como estar a tentar nadar, tendo pesos cada vez maiores agarrados ao corpo). Então, ele decidiu: OK, para começar vou ser frugal ao máximo, vou gastar só o mínimo para sobreviver, ir trabalhar, etc., sem ligar a questões tipo “nível de vida” ou “impressionar outros”. E vou usar o dinheiro a mais para me livrar dos créditos logo que possível.

Onde “atacar” primeiro, então? Para já, vamos olhar para a situação do Zé:

A ENTRAR:

Ordenado: 1500€ líquidos por mês;

A SAIR:

Casa: tem um crédito de 100.000€, a pagar 350€/mês durante 30 anos (dos quais já “só” faltam 25)

Cartões de crédito (todos mais ou menos no limite — sim, isto é normal 🙁 ):
– banco ABC: crédito de 2000€, TAN de 25%, pagamento mínimo de 3% (60€)
– banco DEF: crédito de 1000€, TAN de 15%, pagamento mínimo de 5% (50€)
– banco GHI: crédito de 1600€, TAN de 20%, pagamento mínimo de 5% (80€)

Crédito pessoal:
– entidade JKL, crédito a 6 anos de 16000€, TAN de 9.5%, pagamentos fixos de 300€, ainda só foram pagos 6 meses (pelo que ainda faltará pagar cerca de 15000€ — no início, os pagamentos são quase só para pagar os juros)

Daqui vemos que o Zé precisa de 840€ por mês só para pagar o mínimo dos seus vários créditos. Não espanta que ele cada vez se sinta mais “apertado”, não é? Ainda por cima, ao pagar somente o mínimo dos vários cartões, é revelado um novo problema: juros. Pois é, quais são os juros mensais dos vários cartões, assumindo que estão todos com as dívidas acima mencionadas?

Cartão ABC: 41.66€
Cartão DEG: 12.50€
Cartão GHI: 26.66€

Até podia ser bem pior, já que nenhum destes juros é superior ao pagamento mínimo (caso esse em que pagar só o mínimo faz a dívida aumentar). Mesmo assim, dá para ver que, pagando só esse mínimo, só uma pequena parte desse pagamento é usado para reduzir a dívida; a maior parte do mesmo vai apenas para pagar os juros. Por exemplo, pagando 60€ do cartão ABC, a dívida é reduzida em apenas (60-41.66) = 18.34€. Assumindo que ainda se usa o cartão para, por exemplo, almoçar fora uma vez ou duas, então nem sequer baixará nesse valor; ficará, para todos os efeitos, na mesma. Mas podem ter a certeza de que o banco não se importa mesmo nada de continuar a receber do Zé 41.66€ “grátis” todos os meses. 🙁

Pondo a coisa de outra forma: só em juros dos cartões de crédito, e assumindo que a situação se mantém (o que, até uma pessoa “acordar”, é comum durar anos), o Zé está a dar aproximadamente 970 por ano aos bancos, em juros. É mesmo a “dar”; não é dinheiro que ele possa usar para comprar alguma coisa para ele (já nem falo de poupar ou investir). É efectivamente como pegar fogo a notas. E foi tudo gradual: o Zé usou os cartões de crédito umas vezes para comprar coisas ou cobrir alguma emergência, viu que não tinha de pagar tudo na altura e que assim tinha naquele momento a conta bancária mais “à vontade”, habituou-se a pagar só perto do mínimo de cada um, e depois de uns tempos o Zé não só não tem mais poder de compra do que tinha (pelo contrário), mas passou também a ter um pagamento mensal adicional de uns 190€ — dos quais 80€ vão somente para os juros dos cartões.

Já é mau o suficiente, não é? Mas ainda pode piorar: por usar mais de metade do ordenado só para pagar créditos, e não tendo alterado muito o seu nível de vida, o que resta ao Zé depois de pagar os referidos créditos já não lhe chega para pagar contas, alimentação, transportes, entretenimento, etc., pelo que o Zé é “obrigado” a pagar, todos os meses, mais coisas com os cartões de crédito. Não muito, porque já estão todos no limite, mas pelo menos a diferença entre o pagamento mínimo que fez e o que foi para os juros mensais. Ou seja: as dívidas nunca descem, ponto. E só não sobem ainda mais por já estarem nos limites. 🙁

E isto sem sequer meter o crédito pessoal ao barulho. OK, compreendemos, talvez o Zé precisasse mesmo de um “alívio” naquela altura, talvez quisesse investir nalgum negócio, mas o que é certo é que entretanto esse dinheiro foi-se, mas a prestação mantém-se… E, sem se fazer nada, vai manter-se por mais uns anos.

Este post já vai um bocado longo, não é? Acho que estou a ficar tagarela com a idade. 🙂 Enfim… na parte 3 (que espero ser a última), vamos então ver qual será a forma mais rápida e eficiente de o Zé se livrar destas dívidas.

A seguir: parte 3: cartões de crédito.

Pagar dívidas: por que ordem? (parte 1: a teoria)

Primeiro, uns “disclaimers”:

  1. as sugestões que se seguem dedicam-se sobretudo a quem tenha dívidas de vários tipos (créditos, cartões, casa, etc.) e queira resolver essa questão. Para quem não tenha dívidas desses tipos (como me parece ser o caso da maioria dos leitores/as actuais deste blog): parabéns! 🙂 Mas talvez o post seja útil a outras pessoas que conheçam nesta situação — estejam à vontade para o partilhar;
  2. vou assumir que o destinatário acabou de “ganhar juízo”, de se aperceber do buraco que são as suas dívidas (sobretudo os juros das mesmas), e decidiu acabar com elas tão rapidamente quanto possível, usando todo o dinheiro que consegue dispensar, e isso depois de ter passado a ter uma vida frugal, sem desperdícios, sem luxos, sem dinheiro mal gasto, etc.. Ou seja, não vou abordar aqui a frugalidade; ela já está assumida;
  3. os vários guias deste tipo, na internet e em livros, normalmente recomendam que se comece por juntar um fundo de emergência, em geral equivalente a 2 ordenados, ou 2000€ (o que for maior). No meu caso específico, sei que numa emergência “real” (saúde, etc.) eu posso contar com a família, e custa-me continuar a desperdiçar 100€ ou mais por mês em juros, por isso estou a deixar a criação desse fundo para depois de “limpar” os cartões de crédito (que, como estou farto de mencionar aqui, deverá ser em Novembro). Nada disto deve ser encarado como uma recomendação de adiar a criação desse fundo, obviamente;
  4. não estamos nos EUA, por isso provavelmente não vou ser processado por não incluir algo tipo “isto não são conselhos financeiros, são apenas para propósitos de entretenimento; se precisar de conselhos financeiros consulte alguém com licença para isso, etc. etc.” no post, mas… tudo isto são só a) sugestões, e b) o meu melhor entendimento do que aprendi e li nos últimos meses sobre estes assuntos.

Tudo isto, e ainda não começámos, não é? 🙂 OK, vamos lá.

Primeiro a teoria — que de certa forma é mais ou menos “senso comum”: reduzir os gastos ao máximo de forma a se poder viver com o mínimo possível, opcionalmente acumular um fundo para emergências (ver o ponto 3, acima), depois usar o que vai sobrando todos os meses para pagar tudo o que se puder (acima do mínimo) das várias dívidas “más” (cartões de crédito e outros créditos), e eventualmente elas vão acabar. No meio, pode-se continuar a tentar reduzir ainda mais os gastos regulares (atenção às pequenas coisas do dia-a-dia, elas podem pesar mais do que se julga), e, se possível, arranjar outras fontes de rendimento para juntar ao ordenado.

Mas, por que ordem pagar as dívidas? Aqui há duas correntes de pensamento: a “bola de neve“, popularizada por Dave Ramsey, em que se começa pela dívida menor (e que, portanto, pode ser “limpa” mais rapidamente), independentemente dos juros, pagando o mínimo 1 nas outras até a menor estar totalmente paga. De seguida, passa-se à segunda menor, e assim por diante.

A alternativa é normalmente descrita como “avalanche“: pagar primeiro a dívida com juros mais altos, independentemente da quantia devida. Depois vem a que tiver os juros maiores das restantes, e repete-se até não haver nenhuma.

Penso que não será difícil de ver que, assumindo disciplina perfeita em ambos os casos, o método “avalanche” é, a longo prazo, o mais eficiente, no sentido em que se acaba, no total, por se pagar menos dinheiro em juros — se bem que a diferença é em geral relativamente pequena. Por outro lado, nós não somos robots; a componente psicológica não pode ser ignorada, e o método “bola de neve” permite ter a sensação de “yay, eliminei (mais) um crédito!” 🙂 mais cedo, e mais frequentemente. Essa sensação sabe muito bem, e pode ser altamente motivadora.

(Só para complicar, não tenho estado actualmente a seguir nenhum destes métodos à risca, já que pago mais que o mínimo em cada cartão, mas o foco é aquele com os juros maiores — que também é aquele com a dívida maior. Mas já a reduzi bastante nos últimos meses, e é para continuar. Portanto, estou mais próximo do método “avalanche”, mas estou a fazer por reduzir os outros também de forma “palpável”, em vez de me focar 100% num. De qualquer forma, é provável que ajuste isto nos próximos tempos.)

Como este post já vai um bocado longo, deixo o exemplo prático que queria dar (de alguém fictício, com números para o seu ordenado, dívidas, etc.) para a parte 2, num post seguinte. 🙂

A seguir: parte 2: um exemplo prático.