Evolução mensal das dívidas #13 (30 de Abril de 2019)

Desculpem a ausência de posts; o trabalho anda mesmo complicado, não só no sentido de quase não ter tempo livre, como de ter menos “cabeça” para outras coisas. A ver se mais dia menos dia resolvo esta questão.

Entretanto, e com uns dias de atraso (o mapa de responsabilidades já saiu no sábado)…

(valores ligeiramente arredondados, como sempre.)

  • Cartões de crédito: 0€ (igual ao mês anterior)
  • Créditos: 28185 (menos 250€ que no mês anterior)

Total em dívida: 28185.

Evolução desde o fim de Março: menos 250€.

Mais uma vez, o costume. Cada mês a diminuição de dívidas é um pouco maior (já que, a cada prestação, uma percentagem maior da mesma é usada para reduzir efectivamente a dívida — no início de qualquer crédito, as prestações vão quase completamente para os juros), mas o arrendondamento faz com que pareça igual ao mês anterior; na prática as dívidas baixaram mais 3€ do que em Março, mas não digam a ninguém. 🙂 Gráfico:

Evolução das dívidas - Abril de 2019

Investimento *abaixo* de 100%! Estou preocupado?

Claro que não. 🙂

Expandindo a coisa: ontem vi, desde que comecei a série Acumulação vs. Investimento, actualmente no seu 3º mês, o valor dos investimentos (em comparação com a acumulação, que serve de ponto de referência, a 100%) descer abaixo dos 100% (há uns 10 dias estava em cerca de 104%). Ou seja, por momentos tive menos dinheiro nos investimentos (mesmo contando com dividendos, mas retirando as tarifas do ETFmatic) do que tenho na conta (sem juros, intencionalmente) onde tenho a acumulação. (Digo “tive”, passado, porque entretanto já subiu um pouco, estando neste momento nos 100.57%.)

É este tipo de coisas que tende a assustar quem está a considerar investir na bolsa: a ideia de que o valor das acções compradas “está a baixar“, que “tinha sido melhor guardar o dinheiro“, que isto da bolsa “é como um jogo de azar“, e assim por diante. E, sim, admito que, para quem não se interesse e tenha lido um bocado sobre estas coisas há já algum tempo, isto pode ter um impacto psicológico não desprezável. Eu próprio, quando vi no widget do telemóvel certo valor a vermelho, em vez do habitual verde, tive como primeira reacção o medo — acho que ainda não tenho o “calo” necessário para não o ter.

Felizmente, tenho pelo menos o “calo” necessário para não fazer disparates 🙂 (tipo “pânico!! vou já vender tudo antes que desça mais!!“), e esse medo dura apenas uns segundos: de seguida vem o raciocínio. Tanto o raciocínio mais geral (é natural a bolsa descer e subir ao longo de curtos períodos de tempo, mas a longo prazo a tendência é sempre subir), como o mais específico relativamente a este caso particular (“porque é que a bolsa caiu? Ah, pois, foi o palhaço do Trump que ameaçou a China com mais tarifas outra vez — e desta vez o impacto na bolsa até foi muito menor do que da última vez, no ano passado. As pessoas começam a aprender…1).

Anyway, o importante aqui é: manter o rumo. Investir não deve ser uma questão de se reagir aos mercados 2, mas sim uma questão de se ter uma filosofia de investimento (no meu caso, investir o que puder, todos os meses, num pequeno conjunto de ETFs de index funds 3), segundo a qual, neste caso, os “soluços” da bolsa são não só normais, como algo a ignorar, em geral.

Acumulação vs. Investimento: mês #3

Meses de acumulação e investimento: 3

Acumulação: 100%

Investimento: 104.28%, dos quais 0.29% são resultado de dividendos, e que já excluem 0,03% (do valor total dos investimentos) retirados por tarifas do ETFmatic.

Ainda é muito cedo e o que se segue não tem grande piada, mas…

Acumulação vs. Investimento - mês #3

Ainda tenho de pensar numa forma de tornar este gráfico mais interessante… talvez uma forma de mostrar (de uma forma proporcional mas arbitrária, sem revelar valores reais) os valores acumulados/investidos, de alguma forma, já que este gráfico será sempre mais “plano”, pelo menos durante um bom tempo. Por outras palavras: o gráfico dá vagamente a ideia de que a acumulação é um valor estático (já que a linha é plana) e o investimento quase que também o é, mas na realidade todos os meses há um valor (variável mês após mês, mas sempre idêntico entre a acumulação e o investimento) adicionado a ambas as “caixas”. A ver se daqui a um mês a próxima versão é mais clara neste aspecto (ou talvez sejam necessários 2 gráficos, lado a lado).

Entretanto, amanhã vou de férias (yay!), voltando ao trabalho dia 7 de Maio, pelo que não vai haver grande número de posts até lá. Até um dia destes! 🙂

Coisas e tal, edição 20190410

Como já devem ter reparado, tem havido alguma falta de posts aqui, e há, infelizmente, uma boa razão para isso: sobrecarga no trabalho. Estou envolvido em N coisas ao mesmo tempo, todas “urgentes”, todas “para ontem”, todas “importantíssimas”, e todas assignadas a mim — quem me mandou conseguir uma reputação de fazer as coisas depressa e bem? 😐 Não só não tenho tempo nenhum livre, como, sobretudo, ando mesmo sem cabeça para nada, seja ler ou escrever. E o stress também não anda fácil de gerir; estou a pensar experimentar meditação (coisa em relação à qual já tenho curiosidade há anos, mas tenho uma cabeça que funciona “a mil à hora” e para a qual 5 minutos parecem uma eternidade…), além de também ter de rever certas coisas, tanto atitudes minhas (como a minha dificuldade em dizer “não”, que me leva a aceitar/tentar carregar mais “peso” do que o que é possível por períodos mais prolongados) como o facto de chefes e colegas se estarem a apoiar demasiado em mim.

Anyway; como disse, já tenho planos para lidar com isso, tanto em termos de não me deixar afectar tanto e reduzir o stress, como de começar a dizer “não” e a “disciplinar” chefes e colegas.

E isto tudo só me faz sonhar mais com a independência financeira… mas ainda está longe. 🙁 Nem estou perto, para já, de ter o chamado “dinheiro vai-te F…“: se tivesse dinheiro para ficar uns 6 meses sem ordenado, incluindo não só as despesas básicas como também as prestações dos créditos, poderia tentar arranjar forma de descansar durante uns tempos… mas espero ter alguma coisa desse género lá para o fim do ano, ou início do próximo. Depois logo se vê.

Enfim. Desculpem o desabafo.

De resto, “cenas dos próximos episódios”: ando a ler o livro “The Magic of Thinking Big“, do David Schwartz (já há semanas — não tenho tido, mesmo, nem tempo nem cabeça, como já disse acima), e ao mesmo tempo, em audiobook, (sobretudo a conduzir, ou às vezes a fazer outras coisas em casa que não precisam da atenção toda) o “Love Your Life, Not Theirs“, da Rachel Cruze (filha do Dave Ramsey, por acaso), do qual estou a gostar — é mais introdutório do que outros, e o público alvo (“millennials”) é um pouco mais jovem do que eu, mas está a ser uma leitura (ou audição, neste caso) agradável. Até agora (e o título sugere mesmo isso) trata sobretudo de deixarmos de nos comparar a outros, o que faz com que se compre coisas (muitas vezes a crédito) por competição, mas também trata de gestão do dinheiro, “budgets”, etc.. Ainda não cheguei a meio, no entanto. Infelizmente, em audiobook não é tão fácil “sublinhar” partes para depois traduzir e citar aqui no blog…

Sem ser isso, tenho mais uns posts em mente (“Keeping up with the Joneses” — ainda tenho de descobrir (ou inventar) uma expressão equivalente em português –; possivelmente a reforma cedo e como a mesma pode funcionar (tanto para mim como de forma mais geral); como a minha vida podia ser diferente se tivesse começado a poupar e investir, mesmo que muito pouco, quando comecei a trabalhar, etc.), além de que penso eventualmente fazer mais experiências (Raize, Housers, etc.) e publicá-las aqui, mas, como disse, não sei quando é que vou ter tempo e cabeça para os escrever. Talvez para a semana…

Investimento: alguns conceitos básicos

Acções? Obrigações? Fundos? ETFs? Achei que estes conceitos faziam falta na lista, mas ao mesmo tempo, como estão todos relacionados entre eles e as definições são relativamente breves, escolhi fazer um único post. Espero que seja útil. 🙂

S&P 500

Acções

(também conhecidas por “ações” para quem segue o Acordo Ortográfico 🙂 )

Uma acção (“stock“, em inglês) é, na sua definição mais simples, um “pedacinho” de uma empresa, que, depois de comprada, faz de nós “accionistas” da mesma. Uma acção pode ser comprada ou vendida ao preço actual da mesma, e pode (mas não acontece com todas) pagar dividendos aos seus donos (em geral alguns cêntimos por cada acção possuída), normalmente de forma anual, semestral ou trimestral.

Obrigações

Obrigações (em inglês, “bonds”) são, para todos os efeitos, um empréstimo que fazemos a algo em geral “maior” do que nós: muitas vezes o próprio país/estado, mas também podem ser empresas ou outras organizações. Tal como as acções, também podem ser compradas ou vendidas. Tendem a ser menos voláteis (isto é, variar menos) do que as acções.

(NOTA: A sabedoria popular, há uns anos, sugeria que a percentagem de obrigações no nosso portfolio devia ser equivalente à nossa idade: por exemplo, tendo 30 anos, dever-se-ia ter 30% de obrigações (e os restantes 70% em acções), ajustando essas proporções — comprando umas e vendendo outras — à medida que se envelhece. Actualmente, isso é visto (sobretudo na comunidade de independência financeira) como demasiado conservador; faz talvez sentido ter algumas obrigações para servir de “almofada” quando acontecem “crashes” e afins, mas mais do que 10% antes dos 60 anos faz provavelmente pouco sentido, já que acções historicamente rendem bastante mais, por isso ao “apoiarmo-nos” demasiado nas obrigações por um longo período de tempo (ex. décadas) estamos efectivamente a perder dinheiro. Anyway, nada disto são conselhos de investimento, OK? 🙂 )

Fundos mútuos

Fundos mútuos (“mutual funds”) são um conjunto/portfolio de acções (ou possivelmente obrigações, ou até uma mistura de ambas, mas o mais frequente é tratar-se só das primeiras) englobadas num fundo disponibilizado por uma organização, tornando-se a pessoa cliente dessa organização. Estes fundos podem ser geridos ou passivos/de índice.

Um fundo gerido (“managed fund”), como o próprio nome sugere, é mantido por alguém — uma pessoa, ou, mais frequentemente, uma equipa pertencente a uma empresa — que decide, e ajusta, que acções (e possivelmente obrigações, se for um fundo híbrido) fazem parte desse fundo, e em que proporção. Essa pessoa ou equipa, desta forma, tentam antecipar os mercados, na esperança de comprar barato e vender caro, tentando prever/adivinhar o que vai subir ou descer. (Isto é feito normalmente através de análise técnica (ver padrões em gráficos) e análise fundamental (tentar ver se a empresa está “cara” ou “barata”), mas estes conceitos são demasiado complexos para um artigo introdutório, além de que acredito que há uma alternativa mais simples e superior — já lá vamos.) E, naturalmente, essa pessoa, equipa, empresa, etc. não vende os seus serviços barato…

Por outro lado, um fundo de índice (“index fund”) é gerido passivamente, de forma automática; ele simplesmente tenta reproduzir uma lista/índice de acções, como por exemplo o S&P 500, ou o seu equivalente de outro país (ex. o PSI-20 em Portugal), ou até mesmo a totalidade de uma bolsa, ou de todas as bolsas do mundo, e nas proporções apropriadas (ex. se a empresa em primeiro lugar no índice tem 10% do valor do mesmo, então as acções dessa empresa serão 10% do fundo de índice em questão). No caso de um fundo deste tipo (também há fundos de índice mais específicos, por exemplo a seguir empresas só de determinada área, como por exemplo o imobiliário, biotecnologia, etc.), para todos os efeitos, ele “segue” o mercado em questão, subindo quando ele sobe e descendo quando ele desce. Acaba, portanto, por ser equivalente à média do mercado — e, historicamente, têm superado os fundos geridos manualmente. E, como estes fundos não são geridos manualmente, acabam por ter comissões muito mais baixas (normalmente entre 0.07% e 0.25%) do que os referidos fundos geridos.

ETFs

ETF” são as iniciais de “Exchange-Traded Fund”, ou seja, fundo negociado na bolsa. São, portanto, uma união de dois conceitos: acçõesfundos mútuos. Desta forma, permitem acesso fácil e rápido a fundos (normalmente de índice, mas também existem ETFs de fundos geridos manualmente), com a possibilidade de comprá-los ou vendê-los de forma quase instantânea (é igual a comprar ou vender acções individuais), e com tarifas/custos muito baixos, o que os torna actualmente tão populares. Por último, comprar ETFs não nos torna clientes directamente da empresa que os gere (ex. Vanguard, iShares, etc.), já que as compras e vendas podem ser feitas pelo indivíduo directamente numa correctora (ex. DeGiro), se bem que há também a possibilidade de usar um “robo-advisor” como o ETFmatic.

(Actualmente tudo o que tenho é em ETFs, se bem que já “brinquei” com acções individuais há uns anos.)