Porque é que quero chegar à independência financeira?

(Este post não será “típico”, com princípio, meio e fim. Ao invés disso, vai ser apenas uma lista de várias respostas — pela ordem que me vierem à cabeça, não é ordem de importância — à pergunta do título.)

1- Porque quero ter tempo para fazer as coisas de que gosto. Não me quero armar em “coitadinho” ou em “vítima”; obviamente que há quem, com trabalhos e/ou chefes mais complicados, trabalhe bem mais horas por semana do que eu, e isso sem sequer mencionar quem tem filhos pequenos, ou alguém doente de quem cuidar, por exemplo. Mas, mesmo assim, cada vez mais sinto que a maior parte das coisas que gosto de fazer têm, nos últimos anos, ficado cada vez mais para trás, que nos dias da semana pouco mais faço do que chegar a casa, fazer o jantar e devorá-lo, e depois ler ou jogar algo que não exija muito tempo no tablet, ou ver alguma coisa no Netflix, já na cama — e  normalmente não por muito tempo, já que depois vem o sono e o “amanhã é dia de trabalho“. Sinto falta dos tempos em que lia um ou dois livros por semana, podia jogar videojogos durante horas, e coisas do género. E quero ter a opção de, mesmo não estando totalmente a viver de rendimentos, poder eventualmente reduzir a carga horária para, por exemplo, ter um dia de folga a mais por semana (com a equivalente redução salarial, é claro) — coisa que acredito que não consiga negociar enquanto “precisar” de um emprego.

2- Porque não quero que os próximos 20 anos de carreira sejam como os 20 anteriores. Depois de duas décadas de trabalho, o que é que eu tenho para mostrar, em termos de progresso? Nada de especial, só uns sites que me dão alguns rendimentos passivos (nada do outro mundo)… e dívidas. (OK, tenho também experiência de trabalho, sei que sou bom no que faço, e é raro passar uma semana sem uma oferta de emprego no LinkedIn.) Acredito que é possível fazer melhor, que é possível garantir que cada um dos próximos anos da minha vida será melhor que o anterior, que terei uma posição financeira mais estável, com menos stress. Sim, é para todos os efeitos começar nos 40s o que devia ter começado nos 20s. E não estou, obviamente, a ficar mais jovem. Paciência; é melhor que nada.

3- Porque, se um dia tiver filhos, quero estar presente na vida deles, em vez de fazer como a maior parte das pessoas infelizmente parece ser obrigada a fazer: ir de madrugada deixar os filhos ao infantário/escola, sair do trabalho às tantas e ir buscá-los, e depois chegar a casa de rastos, sem “pedalada” para ainda “ser pai”, e só a pensar em ir para a cama… para repetir no dia seguinte. Acho que crianças merecem melhor que isto, e não acredito que tal seja um problema insolúvel. (Nota: não estou a criticar pais que sacrificam tudo, incluindo tempo, saúde, vida pessoal, hobbies, etc., para dar o melhor que podem aos filhos — mas os filhos não querem que os pais se matem a trabalhar por eles, querem (e precisam) é que os pais estejam presentes. Acreditem.)

4- Porque (citando aqui o Mr. Money Mustache — ver este vídeo) o trabalho é muito melhor quando não precisamos do dinheiro. Acredito que a nossa atitude mude completamente — não para arrogância, mas apenas para uma absoluta autoconfiança e sensação de paz. Deixamos de tolerar certas coisas, e podemos escolher fazer algo de que realmente gostemos, seja um emprego numa área completamente diferente, sejam projectos pessoais — mesmo que dê menos dinheiro.

5- Porque — e aqui aposto que vou ter pouca gente a concordar comigo (não queres é fazer nenhum!” “o mundo real não é assim!“, etc.), tão “formatados” que estamos todos para achar isto normal e universal — acho que a vida não devia ser assim. Não tenho nada contra trabalhar-se, sobretudo se estivermos a fazer algo que não só nos permita crescer como pessoa como também torne o mundo melhor, e obviamente que quem não o quer fazer não tem nada que ser um peso para a sociedade, mas a ideia de que é suposto chegarmos aos 20 anos ou isso (tendo passado a vida em salas de aula nos últimos 15), e depois trabalharmos os 50 anos seguintes sem interrupção, até que finalmente, OK, já sofremos bastante, “o universo” já está satisfeito, podemos agora descansar e viver a vida… mas, se entretanto não tivermos morrido de ataque cardíaco ou isso, não nos livramos de uma coisa: temos 70 anos. Não estamos acabados (longe disso), mas… não sei, acho que o propósito da vida devia ser a nossa felicidade, e não o trabalho. Ou seja, trabalhar para viver, e não viver para trabalhar.

E, sim, reconheço que a culpa aqui é toda minha; que, se tivesse nos últimos 20 anos poupado nem que fosse 10-15% do que ganhei, teria agora o suficiente para 1) tirar um ano ou outro para descansar/inventar projectos quando precisasse ou me apetecesse (sem ter de pedir empréstimos/créditos para ter dinheiro para isso), e/ou 2) já ter a independência financeira à vista — numa questão de anos, não de décadas.

Enfim, leite derramado e essas coisas; o importante é aprender com os erros, corrigi-los, e evoluir como pessoa, e não é tarde para isso. Entretanto, vamos ver como é que corre o primeiro dia a ir para o trabalho a pé: amanhã. Se amanhã não postar aqui, provavelmente aparecerei umas semanas depois, com uma barba enorme e a roupa toda rasgada, e a contar alguma história fantástica sobre “javalis” ou “ursos”. 😉

Ideia: Ir a pé para o trabalho?

Nos vários sites, blogs, livros, podcasts, etc. sobre independência financeira, frugalidade, etc. (e, sim, já li/ouvi muitos, e vou continuar a fazê-lo, o tema cada vez me interessa mais), um dos problemas que os autores tipicamente apontam como dos mais importantes a resolver (depois de cartões de crédito e afins, que são considerados uma emergência) é o dos transportes. Ou seja, referem que a maior parte das pessoas vive relativamente longe do trabalho, e por isso desperdiça tempo (2h ou mais, muitas vezes) e gasolina todos os dias, e, ao fim do mês, essa é das maiores despesas (para não falar do tempo perdido, em que a pessoa podia estar a fazer alguma coisa útil para a sua independência financeira, ou pelo menos algo agradável).

A solução sugerida para isso passa quase sempre por:

  1. trabalhar perto de casa (mudando de emprego ou de casa — esta última não é tão difícil nos EUA, já que quase toda a gente antes dos 40 aluga casa em vez de comprar);
  2. ir para o trabalho de bicicleta (ou mesmo a pé, se possível), deixando o monstro poluidor e sedento de gasolina em casa (ou mesmo não tendo um, se a vida o permitir). Bónus: é bom para a saúde, também.

Ora, eu efectivamente trabalho perto de casa e, como disse aqui, se não houver outros “passeios”, consigo que o depósito do carro dure mais de 30 dias, o que julgo ser bem mais do que a maioria dos portugueses (que, admitamos, também gosta bem mais de conduzir do que eu).

Mas, mesmo assim, pus-me a pensar: daria para fazer melhor?

Bicicleta não me parece; as subidas e descidas que passo para o meu trabalho são terríveis, há vários sítios apertados em que não daria para passar ao lado dos carros, e os condutores portugueses são o que são. Mas, e que tal ir a pé?

Segundo o Google Maps, o caminho melhor a pé é de 4.5 km, e demora aproximadamente 60 minutos. É mais do que os 15 que demoro actualmente de carro, mas menos do que já cheguei a fazer quando trabalhava em certas partes de Lisboa (Saldanha, aeroporto, etc.)… além de que pelo menos sei que demorará exactamente isso, sem ter de lidar com filas de trânsito e afins. E as duas horas a andar por dia passam-se bem a ouvir audiobooks ou podcasts. 🙂

O trajecto sugerido (que não é o que faço de carro) ainda inclui uma grande volta, mas há um ponto em que acho que deve dar para cortar caminho, assumindo que não é nenhuma propriedade privada. Se der, então deve ficar somente em uns 45 minutos.

Se estiver bom tempo, vou experimentar isto na próxima terça-feira. (Não o farei logo na segunda, porque nesse dia tenho de levar a mochila com o portátil, o que ainda pesa um bocado, se bem que não ponho de parte a hipótese de o fazer no futuro). Mesmo que só faça isto 3 dias por semana (nas sextas também tenho de voltar carregado), estarei a reduzir o meu consumo de gasolina em 3/5. O que, pelas minhas contas “em cima do joelho”, me fará ter de atestar o depósito apenas de 70 em 70 dias (se não houver outros passeios ou viagens, claro), o que quer dizer que, se atestar no fim de um mês, posso ficar os 2 meses seguintes sem ir a uma bomba. Nada mau, não? 🙂 (A única parte chata é que no inverno já não me imagino a fazer isto, por sair do trabalho já de noite.)

E isto para não falar nas vantagens para a saúde. A ver se finalmente mostro a esta barriga quem é que manda aqui. 🙂

Vamos ver como corre, na próxima terça-feira. Depois partilharei aqui, é claro.

Gastos semanais: Semana #1 (5 a 11 de Maio de 2018)

Era interessante um dia arranjar um formato mais bonito para isto (e nada impede que no futuro volte a este post e o edite para ficar de acordo com esse eventual formato), mas para já vai assim…

Nota: os valores em geral são arredondados.

Gastos na conta bancária:

  • 36€ – água (mensal)
  • 82€ – telecomunicações (mensal)
  • 11€ – refeição perto do trabalho (um dia em que o cartão de refeições não estava a ser aceite, for some reason)

Gastos no cartão de refeições:

  • 32€ (4 refeições)

Gastos no cartão de crédito para as compras:

  • 67€ – 2 Kickstarters em que tinha participado há tempos e que terminaram agora
  • 7€ – revistas assinadas no Kindle (mensal)
  • 4€ – comics assinados no Comixology
  • 15€ – assinatura anual da revista Money (formato digital)
  • 85€ – encomenda de supermercado
  • 48€ – análises que tive de fazer

Total: 387€

(Não incluo o Telfast que comprei ontem na farmácia, que paguei em dinheiro que tinha levantado na semana passada, e que portanto já tinha saído da conta bancária.)

Ainda é bastante. 🙁 OK, várias destas coisas são “restos” de outros tempos (Kickstarters), várias delas são mensais (água, telecomunicações, supermercado), outra é anual (assinatura da revista), e outra foi uma vez sem exemplo (análises). Excluindo isso tudo, o valor para esta semana seria… 54€. Esse valor já não é assim tão mau… mas, claro, as despesas mensais não são para ignorar (até porque são divididas pelas várias semanas do mês — ou seja, para a semana há outras).

Por outro lado: não há gastos em pequenos-almoços no trabalho, lanches, cafés, lattes, minis, tabaco (não fumo), saídas à noite, lugares de garagem, nem nenhuma das outras coisas que a maioria das pessoas consome regularmente. Acho que podia estar bem pior. Optimismo! 🙂

(Nota: esta é a “Semana 1” porque foi nela que comecei a fazer isto. A ideia é continuar a aumentar esse número, sempre a partir desta semana — ou seja, não tem nenhuma equivalência com a semana do ano.)

Posts regulares futuros

Isto tudo ainda é novo, por isso é natural que o formato vá mudando, mas, para já, a minha ideia em relação a posts regulares é:

  • Semanalmente (sextas-feiras, provavelmente) listar os gastos da semana (ainda não sei bem em que formato, mas tenho até amanhã para decidir);
  • Mensalmente (no dia em que for actualizado o mapa de responsabilidades de crédito, ou talvez um dia ou dois a seguir), listar as dívidas especificadas no mesmo, referentes ao último dia do mês anterior, separadas pelos vários tipos de dívida (créditos, cartões de crédito, etc.) e a diferença/evolução de cada um desses tipos. De certa forma, o primeiro post da situação actual pode ser visto como o primeiro destes, se bem que devo inventar um formato mais “standard” para os seguintes. Penso também criar uma categoria para eles (e  para eles), de forma a ser possível seguir os vários posts por ordem cronológica.

Isto, como disse, serão os posts regulares. No meio dos mesmos haverá outros, claro, sobre assuntos diversos — ideias, coisas que vou aprendendo, etc..

Pensei também em, quando as dívidas estiverem pagas, fazer posts sobre a evolução dos investimentos, mas posts tipo “quanto dinheiro tenho” são sempre perigosos em termos de privacidade, por isso, a não ser que dê para contornar esse problema, é provável que não os faça.

Afinal, quanto é que é preciso para a independência financeira?

Eu sei que ainda está longe, mas… 🙂

Há basicamente 2 formas de calcular o valor aproximado para uma pessoa nunca mais ter de trabalhar (o que não impede que o faça ocasionalmente, ou até o continue a fazer continuamente por anos — mas aí é nas nossas condições, e não nas deles) e viver dos investimentos.

A forma mais conservadora, e que é usada em calculadoras como esta (seleccionar “Time to Financial Independence”), funciona assim: decide-se com quanto dinheiro por ano se quer viver (o que depende de cada um, claro). Depois, assumindo (pela média dos últimos 30 anos) um rendimento de 7% dos investimentos, e uma inflação de 3%, faz-se a diferença desses valores (4%), que é quanto se pode gastar por ano para os investimentos se manterem estáveis “para sempre”. Ou seja,

investimento total * 4% = valor com que se quer viver por ano,

resolvendo para investimento total.1 Depois, a calculadora acima também permite que lhe digamos quanto conseguimos investir por mês, e calcula quantos meses (sempre contando com os 4% de retorno de investimento) precisaremos de investir esse valor.

No meu caso, e assim só pela piada: se quisesse viver com 24000€ por ano (2000€/mês, o que é bem mais do que actualmente gasto “comigo”, diga-se de passagem), precisaria de um investimento total de 600K, que, se conseguisse investir 1000€ por mês, demoraria… 27.5 anos. Ou seja, independência financeira aos 70 anos… o que não é melhor em termos de idade do que o que toda a gente faz; a diferença é que estaria reformado com um “ordenado” vitalício de 2000€ além da reforma que receberia da segurança social. Mas… teria 70 anos. Não é que uma pessoa esteja “acabada”; conheço quem, precisamente aos 70, se divirta mais e tenha mais energia do que tinha aos 50. Mas…

Quero melhor. Quero ter esse tipo de vida tão cedo quanto possível.

Se aumentasse os lucros, não mudasse o nível de vida, e conseguisse investir o dobro (2000€/mês), o tempo passaria para 17.5 anos. Melhor, já me “reformo” aos 60… 🙂 Mas acredito que é possível fazer melhor ainda. Bem melhor.

O acima é a forma conservadora, porquê? Porque, além de assumir que os lucros (e, por conseguinte, o valor mensal investido) serão constantes, também assume que a pessoa, depois de se atingir a independência financeira, nunca mais ganha dinheiro de nenhuma forma — nem faz biscates, nem tem qualquer tipo de rendimentos passivos. (E também assume que a pessoa “tem” de deixar todo o investimento para os descendentes –reparem que o cálculo com os 4% exige que o investimento nunca desça –, mas não vamos por aí agora.)

A alternativa é não pensar tanto no “para sempre”.

Vamos imaginar que quero viver com 2000€ por mês, como antes (o que, como disse, é bem mais do que gasto “comigo” actualmente — seria uma tremenda subida do nível de vida), e que não tenho quaisquer dívidas. Logicamente, para viver 1 ano sem trabalhar precisaria de 2×12=24K; para 10 anos, precisaria de 240K. Com esse dinheiro, à partida, poderia viver 10 anos a gastar 2000€ todos os meses, e saberia exactamente o mês e o ano em que esse dinheiro acabaria.

Ah, espera, mas tenho uns rendimentos passivos que me rendem (suponhamos) 250€/mês (com possibilidade de aumentarem, mas esqueçamos isso agora). Isso quer dizer que só tenho de tirar 1750€ por mês (21K por ano) dos 240K. Desta forma, os 240K já não dão só para 120 meses (10 anos), mas sim para 137 (quase 11 anos e meio).

Ah, espera outra vez, os 240K não vão estar debaixo do colchão ou numa conta bancária; vão estar investidos, a render, em média (tirando a inflação) 4%/ano. OK, para isto preciso de uma folha de cálculo… deixa ver…

Mais de 15 anos.

Isto sem fazer um minuto de trabalho remunerado. Mas será esse o caso? Continuo a ser bastante bom no que faço, tenho mais de 20 anos de experiência, tenho propostas no LinkedIn todas as semanas há mais de 2 anos, e de certeza que, sempre que quiser, conseguirei trabalhar em projectos de duração limitada, ou até simplesmente participar em projectos que ache interessantes, por quanto tempo quiser. Cada remuneração extra aumentará os 15 anos acima mencionados, e qualquer trabalho será muito mais agradável, e muito menos stressante, se souber que não preciso dele, que posso sair de um dia para o outro se quiser. Aliás, nessas condições uma pessoa pode negociar de uma forma completamente diferente (“preciso de mais tempo livre; quero passar a trabalhar só 4 dias por semana, recebendo menos 20%. O quê, isso não é possível? <aperto de mão> Foi um prazer trabalhar convosco…” 🙂 ).

E de certeza que criarei outros projectos (novos sites? escrever e publicar ebooks de não-ficção? outras coisas?) que estenderão ainda mais a duração dos investimentos, chegando a um ponto em que — a não ser que viva para sempre — eles durem mais do que o meu tempo de vida restante.

Quanto tempo seria necessário para juntar esses 240K? Investindo “apenas” 1000€/mês, e contando com rendimentos a 4% anuais reinvestidos… 15 anos. É a melhor alternativa até agora, mas ainda está longe de ser perfeita — por isso toca a aumentar os rendimentos. 🙂

Mas tudo isto ainda está muito, muito longe. Para já… acabar de pagar o carro, e “limpar” os cartões de crédito. E depois os outros créditos. E pensar — sempre — em formas de entrar mais dinheiro, claro.

Mais situação actual: Despesas mensais

Mais uma vez, os valores são aproximados.

  • Créditos: 600€
  • Carro: 333€ (só mais 2 meses)
  • Cartões de crédito: o mínimo somado é de cerca de 300€, mas sempre que posso pago mais que o mínimo. Isto inclui várias despesas mensais (assinaturas, servidores alugados, etc.) que são pagas por um dos cartões
  • Gasolina: 70€ (tanque cheio) aproximadamente a cada 40-45 dias (vantagens de trabalhar perto de casa)
  • Electricidade: 55€
  • Água: 35€
  • Gás: 35€
  • Internet/Telemóveis/TV: 80€
  • Seguro de saúde: 45€
  • Almoços perto do trabalho: 40-50€ por mês (depois de acabar o carregamento do cartão de refeição do trabalho, o que normalmente acontece lá para dia 18-20)
  • Supermercado: 100-150€
  • Investimento em ETFs: 50€ (já lá vamos)
  • Entretenimento (sobretudo livros, audiobooks, comics, Netflix e videojogos): incluído nos cartões de crédito acima, mas tem andado à volta de 75-100€. A reduzir, obviamente

Total (máximo): 1803€ 🙁

Obviamente, há muito a melhorar aqui. Em termos de electricidade, água, gás, etc., até estou razoável. Talvez dê para reduzir a conta de telecomunicações, mas não em muito. Os investimentos vão entrar em pausa até os cartões de crédito estarem totalmente pagos. O orçamento para entretenimento vai ter de ser drasticamente reduzido, para uns 50€ mensais no máximo. Trabalho perto de casa e gasto muito menos em gasolina do que a maioria dos portugueses, pelo que sei, mas não dá mesmo para ir mais longe e ir de bicicleta ou algo do género (é uma zona tudo menos plana, além de que os condutores portugueses são o que se sabe). Quanto à possibilidade de trazer marmita… tenho várias razões para continuar a almoçar com o actual grupo de colegas, desde até 🙂 gostar da companhia deles, ser do pouco convívio que tenho, e ser muito mais relaxante do que ir para uma copa a abarrotar de gente que não conheço, todos na fila para os microondas, e inevitavelmente com um cheiro a mariscos/polvo/lulas insuportável. 🙂

Os créditos ainda estão longe de acabar de pagar, por isso para já vou-me focar no que disse acima: acabar de pagar o carro, “limpar” os cartões de forma a não haver mais juros nem pagamentos mínimos, e usar só um deles para assinaturas, servidores e entretenimento, mantendo tudo isso perto de 150€. Dessa forma, fica:

  • Créditos: 600€
  • Cartão de crédito: €150 no máximo (sempre pago a 100%, automaticamente)
  • Gasolina: 70€ (tanque cheio) aproximadamente a cada 40-45 dias (vantagens de trabalhar perto de casa)
  • Electricidade: 55€
  • Água: 35€
  • Gás: 35€
  • Internet/Telemóveis/TV: 80€
  • Seguro de saúde: 45€
  • Almoços perto do trabalho: 40-50€ por mês (depois de acabar o carregamento do cartão de refeição do trabalho, o que normalmente acontece lá para dia 18-20)
  • Supermercado: 100-150€
  • Entretenimento: já incluído acima, no cartão de crédito

Total (máximo): 1270€

Já está melhor: menos 533€ do que actualmente. Ainda não permite, no entanto, poupar/investir 50% do que ganho (incluindo dos sites); para isso será necessário aumentar os lucros e/ou reduzir mais as despesas, mas há pouca coisa ali que dê para reduzir significativamente (reduzir um pouco o entretenimento? as despesas de supermercado? as telecomunicações? Não estou a ver isso tudo junto a fazer mais de 30-40€ de diferença, mas também não ponho de parte a ideia). De qualquer forma, investir (depois de juntar o fundo para emergências) uns 35% dos lucros já não será mau de todo — melhor do que quase toda a gente “normal”, que espera trabalhar até à reforma, e cujas despesas, sabe-se lá como, escalam proporcionalmente ao que ganham — e eu não posso falar, foi o que também sempre fiz.

Como disse no post anterior, espero chegar a este estado daqui a 7 meses no máximo — ou seja, lá para Novembro, ou até antes. Depois uns 3 meses para acumular o fundo de emergências, e depois… 🙂

(E tudo isto é sem aumentar o dinheiro que entra, o que obviamente vou também tentar fazer.)

Situação actual, e planos gerais

Não sei de quem é a frase originalmente, mas para sabermos para onde vamos temos primeiro de saber onde estamos. Portanto, aqui vai. A 8 de Maio de 2018:

Dívidas (valores arredondados):

  • crédito de 29000€ (consolidação de outros no passado) por pagar (faltam pouco mais de 8 anos)
  • crédito de 2100€ por pagar (faltam pouco mais de 2 anos)

Soma das mensalidades: 600€

Total de créditos: 31100€
  • 3 cartões de crédito com 3500€ de dívidas no total
  • dívida restante de 666€ à família, do carro comprado o ano passado (a pagar nos próximos 2 meses)

Total de dívidas: 35000€

Não é o fim do mundo (comparado com quem esteja a pagar a casa, carros novos, etc.), mas mesmo assim não havia nenhuma necessidade disto… enfim, foram erros de quando era jovem e tolo, e cujas consequências têm de ser resolvidas.

Plano geral:

  1. pagar os cartões de crédito na íntegra (e o carro, que está quase), o que numa estimativa relativamente conservadora (isto é, sem esperar “perfeição” da minha parte, e ainda contando com um imprevisto ou dois) deve demorar uns 7 meses;
  2. juntar um fundo de emergências de pelo menos 1-2K;
  3. depois disso, usar a “folga” extra para juntar fundos (possivelmente guardados pelo menos parcialmente em index funds/ETFs, para evitar a desvalorização devida à inflação) para eventualmente pagar o resto dos créditos antecipadamente;
  4. tentar viver com (idealmente) 50% do que ganho por mês (incluindo dos sites e afins), investindo o resto;
  5. manter a frugalidade tanto quanto possível, o que é um hábito relativamente recente na minha vida (obrigado, MMM), sobretudo em questões de entretenimento, e tendo especial cuidado quando os cartões finalmente estiverem pagos e eu me sentir mais “folgado” do que nos últimos anos, o que pode originar novas tentações;
  6. tentar arranjar outras fontes de rendimento e/ou incrementar as existentes (novos projectos/sites? promoções no trabalho? mudança(s) de emprego? escrever um livro? algo completamente diferente? Vamos ver…), sem que isso signifique um aumento equivalente dos gastos (o que acontece com muita gente, que gasta tudo o que ganha — e depois vê-se “à rasca” — quer ganhe 10K ou 20K…);
  7. Profit!! Eventual independência financeira, quando os investimentos atingirem (conservadoramente acho eu — mas este valor pode ser revisto no futuro) uns 500K. Isto sem quaisquer dívidas, é claro.

Naturalmente, nenhum plano de batalha sobrevive ao contacto com o inimigo, pelo que terei de ser capaz de me adaptar a possíveis situações: filhos, doenças, imprevistos, etc.. Mas acredito que, em linhas gerais, será possível (e que mesmo um sucesso parcial será melhor do que não fazer nada).

O início…

Estou a escrever isto tipo “stream of consciousness”, por isso é possível (provável, até) que posteriormente volte a este post para aumentar a sua coerência. 🙂 OK, comecemos:

Este é um blog sobre, eventualmente, vários assuntos: finanças pessoais, poupança, frugalidade (com possivelmente algum minimalismo à mistura), investimentos, e independência financeira. Sem querer entrar em grandes detalhes pessoais (até preferia manter algum anonimato, pelo menos tanto quanto possível), tenho mais de 40 anos, trabalho há mais de 20, e apesar de ganhar relativamente bem para o país em que vivo (Portugal — e, sim, já revelei algo sobre mim, como se a minha forma de escrever não o tivesse já feito desde o início do post…), cheguei a esta idade não tão bem como seria de desejar — sem quaisquer poupanças, sem investimentos “palpáveis” (só “experiências” à volta de poucas centenas de euros), com vários créditos e cartões de crédito para os quais vai bastante dinheiro todos os meses, e com a possibilidade de independência financeira (leia-se: não precisar de trabalhar, e viver só dos investimentos, rendimentos passivos, etc.) ainda muuuuito longe. Ao mesmo tempo, há várias coisas que adoro fazer (hobbies, etc.) e que cada vez mais provocam ressentimento com a vida actual por não ter tempo para elas, e não queria poder fazê-lo só depois dos 60 e quantos (sei lá qual é a idade actual de reforma em Portugal), pelo que essa independência é cada vez mais desejável.

As únicas vantagens: tenho a casa paga (o que não foi graças a mim) e tenho uns sites (nenhum dos quais é um blog) que me dão algum dinheiro todos os meses.

A ideia deste blog, portanto, é um misto de várias coisas: por um lado clarear e/ou apontar ideias, documentar experiências, puxar por mim próprio, e partilhar o que vou aprendendo, tanto para uso pessoal posterior como, espero eu, para eventuais leitores.

Isto pode mudar completamente no futuro (como disse no início, este post é mais um “rascunho” que outra coisa), mas a minha ideia, para já, é fazer algo como um misto de vários blogs existentes de vários tipos, desde um Diário das minhas finanças pessoais até um Mr. Money Mustache. Ou seja, se por um lado quero documentar gastos e poupanças (mas não de forma exaustiva ou repetitiva: ninguém vai querer saber coisas tipo “hoje poupei 80 cêntimos não pedindo sobremesa” pela Nª vez), por outro quero escrever sobre o que vou aprendendo, evoluindo e, espero eu, fazendo — idealmente, de forma a ser também útil a outros. E, ao mesmo tempo, terei o desafio de por um lado ser informativo e detalhado, e por outro não revelar valores como ordenados, contas bancárias, e afins.

O nome do blog? Já tinha este domínio (ovelhaostra.com) há uns bons anos; cheguei a usá-lo para um fórum de uma equipa à qual pertenci em tempos, mas desde então não estava a fazer nada com ele… e assim evito ter de registar outro. Poupança! 🙂

E pronto, para já é isto.