Mesadas, e tabus sobre dinheiro

Imagina a situação: queres muito ter X, mas X custa 5 vezes o que te resta todos os meses (depois de pagar contas, pôr de parte o dinheiro para a comida e outros bens de primeira necessidade, etc.). Vamos supôr que não tens nem poupanças nem dívidas. O que fazes?

  1. Desisto; nunca vou ter esse dinheiro, pelo menos enquanto ganhar somente o que ganho.
  2. Compro com o cartão de crédito, e fico a pagar nos próximos 10 meses ou mais.
  3. Poupo durante 5 meses e compro a pronto.
  4. Suborno o ogre com 10 moedas de ouro e duas provisões, para ele me deixar passar.

(Desculpem a última, esta lista de opções fez-me lembrar coisas do passado.  🙂 )

Agora que somos todos adultos, e interessados nestas coisas (finanças pessoais, poupança, etc.), a resposta óbvia será, sem dúvida, a 3 1. Mas, acreditem ou não, passei a infância e adolescência a achar que a única resposta para já era a 1 (a não ser que alguém da família tivesse um ataque de generosidade), e depois passei os 20s e os 30s (e, para vergonha minha, o início dos 40s) a ir sempre para a 2.

E porquê? Não quero, obviamente, culpar outros pelos meus erros (aliás, “culpar” é quase sempre a coisa errada — ao focarmo-nos demais em “culpas”, não estamos a olhar para soluções), mas acho que grande parte do problema foi nunca ter tido mesada, e ter crescido em casas 2 onde falar de dinheiro era tabu.

O resultado disto é que cheguei à idade adulta a acreditar (mesmo que inconscientemente) que o dinheiro era “para gastar”, que a única forma de ter algo que não “coubesse” num ordenado era comprar a crédito, e sem ter mentalizado conceitos complicadíssimos como “não gastar agora, para daqui a uns meses poder comprar o que realmente quero” (já nem falo de outros conceitos super-avançados, tais como “poupar (e, idealmente, investir) X% todos os meses“…).

Note-se, até acho que mesadas não devem ser incondicionais. Acho que devem estar condicionadas a certas coisas (ex. X por cada dia do mês em que o quarto esteve arrumado, mais Y em proporção às boas notas, mais Z por fazer esta ou aquela tarefa em casa, e assim por diante). Afinal, no mundo real ninguém recebe só por existir…

A outra parte do problema foi, como disse acima, o tabu em falar-se de dinheiro. A única “sabedoria” que alguma vez ouvi da minha família — tivesse eu 16 anos, ou 26, ou 36 — não incluo os 6, lá está, por não ter tido mesada) foi “poupa!“, mas nunca me disseram porquê, nunca me falaram de conceitos como juros de cartões de crédito, juros compostos, investimentos, contas-poupança, outros tipos de poupanças, como gerir o ordenado / planear os gastos do mês, etc.. Nada disto; tive de aprender tudo “intelectualmente” por mim próprio, já depois de sair de casa da família, e acho que só “interiorizei” já depois dos 40, quando me comecei a interessar a sério por estes assuntos (e a ler livros, blogs, etc. sobre eles).

O resultado disto, obviamente, foi chegar aos 40 com dívidas e sem poupanças… quando era suposto ser ao contrário.

Mais uma vez, não estou a culpar ninguém pelos meus próprios erros, mas só pergunto: porque é que isto teve de ser assim? Porque é que a minha família, cujos membros (em geral) eu sei que até percebem/percebiam (alguns já cá não andam) de dinheiros e afins, não partilharam isso? Porque é que cada geração tem de aprender tudo a partir do zero, sem se aproveitar a experiência da geração anterior? Claro que isto é só a minha família, especificamente, mas tenho a ideia de que o meu caso não é único, que em muitas famílias quase todas as gerações são obrigadas a “reinventar a roda”, a repetir os mesmos erros e — uns mais cedo, outros mais tarde, outros nunca — a aprender com eles… para depois os filhos passarem pelo mesmo outra vez.

Desculpem lá o desabafo, mas estes tabus são ridículos. E, se um dia tiver filhos, vou agir da forma oposta.

(Nota: este post é uma expansão de dois comentários que fiz no blog A teia dos 20 mais x!.)

Em breve: livros, podcasts, etc.

Como hoje ainda estou meio “moribundo” devido à aventura de ontem (além de zombificado devido à combinação de dois anti-histamínicos diferentes — o que provavelmente não é a coisa mais ajuizada que já fiz na vida, mas as alergias este ano estáo más), vou deixar posts “a sério” para os dias que se seguem, e hoje vou-me resumir a partilhar mais uns planos sobre coisas a incluir neste blog: vou falar de livros (incluindo audiobooks) e podcasts que li/estou a ler/ouvi/estou a ouvir. Tudo sobre os assuntos do blog: finanças pessoais, frugalidade, independência financeira, etc..

Só para dar uma ideia (nota: a ordem pode acabar por não ser esta, podem-se meter outros pelo meio, etc.):

Livros:
  • The Simple Path to Wealth (JL Collins)
  • Set for Life (Scott Trench)
  • The Millionaire Next Door (Thomas J. Stanley e William D. Danko)
  • The Automatic Millionaire (David Bach)
  • Rich Dad, Poor Dad (Robert Kiyosaki)
  • The Richest Man in Babylon (George S. Clason)
  • Invest Like a Pro (Jesse Mecham)
  • Me, Inc. (Gene Simmons)

Sim, os títulos estão em inglês — é como eu normalmente leio. 🙂 Mas sei que alguns destes livros existem também traduzidos para português. A ideia será fazer um post sobre cada um, e criar uma página no blog (que provavelmente aparecerá lá em cima) com um link para cada um desses posts, de forma a ter uma “lista de leitura” do OvelhaOstra.

Podcasts:
  • BiggerPockets Money (um “spin-off” sobre finanças pessoais do Bigger Pockets “normal”, que é mais sobre imobiliário)

Também quero, eventualmente, falar de blogs, sobretudo porque tenho recentemente descoberto alguns em Portugal, em geral mais “pessoais” e que criam comunidades interessantes; mas quero também partilhar a minha experiência e opinião sobre outros focados em temas mais específicos (incluindo aquele que parece que tenho de mencionar post sim post não 🙂 ). Mas isso fica para mais tarde, talvez.

A pé para o trabalho: Como foi, e porque não devo tornar isto regular

Ursos! Ursos por todo o lado!

🙂

OK, agora mais a sério: cheguei há pouco (não, não me atrasei 2 horas por causa disto; tenho um horário variável e cheguei quase à hora que previa).

Segundo a pulseira (uma Mi Band 2, para os curiosos):

  • Distância: 5.49 km (bem mais que os 4.5 km que o Google Maps dizia)
  • Tempo: 1h04m
  • Velocidade média: 5.13 km/h
  • Passos: 7028

Claro que cheguei ofegante, a suar, e cheio de calor; não estou mesmo habituado este ritmo. Mas até me sinto bem, neste momento.

Mas não penso, afinal, tornar isto regular, e os prós e contras que vou listar a seguir devem tornar claro o porquê:

Prós:
  1. poupança de gasolina;
  2. exercício físico (5.5 km de caminhada para cada lado!);
  3. sol (mais uns dias disto e “bronzeava-me”) e “natureza”;
  4. sabe bem auto-desafiarmo-nos e estarmos à altura. 🙂
Contras:
  1. não dá mesmo para cortar caminho (e é mais 1 km do que o Google Maps dizia)
  2. uma hora ainda é um bocado de tempo, em comparação com 15 minutos;
  3. época de alergias (vim o caminho todo cada vez mais “ranhoso”); 🙁
  4. passa ao pé de um riacho, e nessa parte é só mini-insectos no ar;
  5. é um caminho mais “rural” e cheio de estradas apertadas e sem berma, passando depois por várias rotundas grandes e sem passadeiras, por isso requer atenção constante e audição desimpedida — ou seja, não me parece viável ir a ouvir audiobooks ou podcasts. Uma hora (para cada lado) só a ter atenção aos carros é um bocado aborrecido;
  6. várias subidas bem íngremes (e descidas também, que se tornarão subidas no caminho inverso);
  7. ursos! 🙂

A parte da atenção constante é, para mim, o “deal breaker” — por não poder ir a ouvir livros ou podcasts, em vez de a hora passar num instante sente-se cada minuto dela. Portanto, a minha decisão para já é: não vou tornar isto regular (como os 3 dias por semana que tinha pensado), mas posso voltar a fazer isto uma vez ou outra, quando me sentir mais “aventureiro”. Vamos ver.

Entretanto, como pelos vistos ainda não fui suficientemente masoquista, decidi que hoje, para voltar para casa, não volto por onde vim: vou pelo trajecto que faço de carro, o que, segundo o Google Maps, é um quilómetro a mais, e as subidas e descidas (que estou habituado a fazer de carro) são ainda piores. A única parte boa é que são estradas mais largas e que devem exigir menos atenção, pelo que talvez dê para ir a ouvir alguma coisa. Vamos ver. Por via das dúvidas, editarei este post quando chegar a casa, logo, só para dizer que estou vivo. 🙂

EDIT: e já estou em casa! Relatório do regresso:

  • Distância: 5.55 km
  • Tempo: 1h11m
  • Velocidade média: 4.68 km/h
  • Passos: 7472

Tenho quase 20.000 passos na pulseira, hoje. A ver se amanhã consigo sair da cama… 🙂

Porque é que quero chegar à independência financeira?

(Este post não será “típico”, com princípio, meio e fim. Ao invés disso, vai ser apenas uma lista de várias respostas — pela ordem que me vierem à cabeça, não é ordem de importância — à pergunta do título.)

1- Porque quero ter tempo para fazer as coisas de que gosto. Não me quero armar em “coitadinho” ou em “vítima”; obviamente que há quem, com trabalhos e/ou chefes mais complicados, trabalhe bem mais horas por semana do que eu, e isso sem sequer mencionar quem tem filhos pequenos, ou alguém doente de quem cuidar, por exemplo. Mas, mesmo assim, cada vez mais sinto que a maior parte das coisas que gosto de fazer têm, nos últimos anos, ficado cada vez mais para trás, que nos dias da semana pouco mais faço do que chegar a casa, fazer o jantar e devorá-lo, e depois ler ou jogar algo que não exija muito tempo no tablet, ou ver alguma coisa no Netflix, já na cama — e  normalmente não por muito tempo, já que depois vem o sono e o “amanhã é dia de trabalho“. Sinto falta dos tempos em que lia um ou dois livros por semana, podia jogar videojogos durante horas, e coisas do género. E quero ter a opção de, mesmo não estando totalmente a viver de rendimentos, poder eventualmente reduzir a carga horária para, por exemplo, ter um dia de folga a mais por semana (com a equivalente redução salarial, é claro) — coisa que acredito que não consiga negociar enquanto “precisar” de um emprego.

2- Porque não quero que os próximos 20 anos de carreira sejam como os 20 anteriores. Depois de duas décadas de trabalho, o que é que eu tenho para mostrar, em termos de progresso? Nada de especial, só uns sites que me dão alguns rendimentos passivos (nada do outro mundo)… e dívidas. (OK, tenho também experiência de trabalho, sei que sou bom no que faço, e é raro passar uma semana sem uma oferta de emprego no LinkedIn.) Acredito que é possível fazer melhor, que é possível garantir que cada um dos próximos anos da minha vida será melhor que o anterior, que terei uma posição financeira mais estável, com menos stress. Sim, é para todos os efeitos começar nos 40s o que devia ter começado nos 20s. E não estou, obviamente, a ficar mais jovem. Paciência; é melhor que nada.

3- Porque, se um dia tiver filhos, quero estar presente na vida deles, em vez de fazer como a maior parte das pessoas infelizmente parece ser obrigada a fazer: ir de madrugada deixar os filhos ao infantário/escola, sair do trabalho às tantas e ir buscá-los, e depois chegar a casa de rastos, sem “pedalada” para ainda “ser pai”, e só a pensar em ir para a cama… para repetir no dia seguinte. Acho que crianças merecem melhor que isto, e não acredito que tal seja um problema insolúvel. (Nota: não estou a criticar pais que sacrificam tudo, incluindo tempo, saúde, vida pessoal, hobbies, etc., para dar o melhor que podem aos filhos — mas os filhos não querem que os pais se matem a trabalhar por eles, querem (e precisam) é que os pais estejam presentes. Acreditem.)

4- Porque (citando aqui o Mr. Money Mustache — ver este vídeo) o trabalho é muito melhor quando não precisamos do dinheiro. Acredito que a nossa atitude mude completamente — não para arrogância, mas apenas para uma absoluta autoconfiança e sensação de paz. Deixamos de tolerar certas coisas, e podemos escolher fazer algo de que realmente gostemos, seja um emprego numa área completamente diferente, sejam projectos pessoais — mesmo que dê menos dinheiro.

5- Porque — e aqui aposto que vou ter pouca gente a concordar comigo (não queres é fazer nenhum!” “o mundo real não é assim!“, etc.), tão “formatados” que estamos todos para achar isto normal e universal — acho que a vida não devia ser assim. Não tenho nada contra trabalhar-se, sobretudo se estivermos a fazer algo que não só nos permita crescer como pessoa como também torne o mundo melhor, e obviamente que quem não o quer fazer não tem nada que ser um peso para a sociedade, mas a ideia de que é suposto chegarmos aos 20 anos ou isso (tendo passado a vida em salas de aula nos últimos 15), e depois trabalharmos os 50 anos seguintes sem interrupção, até que finalmente, OK, já sofremos bastante, “o universo” já está satisfeito, podemos agora descansar e viver a vida… mas, se entretanto não tivermos morrido de ataque cardíaco ou isso, não nos livramos de uma coisa: temos 70 anos. Não estamos acabados (longe disso), mas… não sei, acho que o propósito da vida devia ser a nossa felicidade, e não o trabalho. Ou seja, trabalhar para viver, e não viver para trabalhar.

E, sim, reconheço que a culpa aqui é toda minha; que, se tivesse nos últimos 20 anos poupado nem que fosse 10-15% do que ganhei, teria agora o suficiente para 1) tirar um ano ou outro para descansar/inventar projectos quando precisasse ou me apetecesse (sem ter de pedir empréstimos/créditos para ter dinheiro para isso), e/ou 2) já ter a independência financeira à vista — numa questão de anos, não de décadas.

Enfim, leite derramado e essas coisas; o importante é aprender com os erros, corrigi-los, e evoluir como pessoa, e não é tarde para isso. Entretanto, vamos ver como é que corre o primeiro dia a ir para o trabalho a pé: amanhã. Se amanhã não postar aqui, provavelmente aparecerei umas semanas depois, com uma barba enorme e a roupa toda rasgada, e a contar alguma história fantástica sobre “javalis” ou “ursos”. 😉

Ideia: Ir a pé para o trabalho?

Nos vários sites, blogs, livros, podcasts, etc. sobre independência financeira, frugalidade, etc. (e, sim, já li/ouvi muitos, e vou continuar a fazê-lo, o tema cada vez me interessa mais), um dos problemas que os autores tipicamente apontam como dos mais importantes a resolver (depois de cartões de crédito e afins, que são considerados uma emergência) é o dos transportes. Ou seja, referem que a maior parte das pessoas vive relativamente longe do trabalho, e por isso desperdiça tempo (2h ou mais, muitas vezes) e gasolina todos os dias, e, ao fim do mês, essa é das maiores despesas (para não falar do tempo perdido, em que a pessoa podia estar a fazer alguma coisa útil para a sua independência financeira, ou pelo menos algo agradável).

A solução sugerida para isso passa quase sempre por:

  1. trabalhar perto de casa (mudando de emprego ou de casa — esta última não é tão difícil nos EUA, já que quase toda a gente antes dos 40 aluga casa em vez de comprar);
  2. ir para o trabalho de bicicleta (ou mesmo a pé, se possível), deixando o monstro poluidor e sedento de gasolina em casa (ou mesmo não tendo um, se a vida o permitir). Bónus: é bom para a saúde, também.

Ora, eu efectivamente trabalho perto de casa e, como disse aqui, se não houver outros “passeios”, consigo que o depósito do carro dure mais de 30 dias, o que julgo ser bem mais do que a maioria dos portugueses (que, admitamos, também gosta bem mais de conduzir do que eu).

Mas, mesmo assim, pus-me a pensar: daria para fazer melhor?

Bicicleta não me parece; as subidas e descidas que passo para o meu trabalho são terríveis, há vários sítios apertados em que não daria para passar ao lado dos carros, e os condutores portugueses são o que são. Mas, e que tal ir a pé?

Segundo o Google Maps, o caminho melhor a pé é de 4.5 km, e demora aproximadamente 60 minutos. É mais do que os 15 que demoro actualmente de carro, mas menos do que já cheguei a fazer quando trabalhava em certas partes de Lisboa (Saldanha, aeroporto, etc.)… além de que pelo menos sei que demorará exactamente isso, sem ter de lidar com filas de trânsito e afins. E as duas horas a andar por dia passam-se bem a ouvir audiobooks ou podcasts. 🙂

O trajecto sugerido (que não é o que faço de carro) ainda inclui uma grande volta, mas há um ponto em que acho que deve dar para cortar caminho, assumindo que não é nenhuma propriedade privada. Se der, então deve ficar somente em uns 45 minutos.

Se estiver bom tempo, vou experimentar isto na próxima terça-feira. (Não o farei logo na segunda, porque nesse dia tenho de levar a mochila com o portátil, o que ainda pesa um bocado, se bem que não ponho de parte a hipótese de o fazer no futuro). Mesmo que só faça isto 3 dias por semana (nas sextas também tenho de voltar carregado), estarei a reduzir o meu consumo de gasolina em 3/5. O que, pelas minhas contas “em cima do joelho”, me fará ter de atestar o depósito apenas de 70 em 70 dias (se não houver outros passeios ou viagens, claro), o que quer dizer que, se atestar no fim de um mês, posso ficar os 2 meses seguintes sem ir a uma bomba. Nada mau, não? 🙂 (A única parte chata é que no inverno já não me imagino a fazer isto, por sair do trabalho já de noite.)

E isto para não falar nas vantagens para a saúde. A ver se finalmente mostro a esta barriga quem é que manda aqui. 🙂

Vamos ver como corre, na próxima terça-feira. Depois partilharei aqui, é claro.

Gastos semanais: Semana #1 (5 a 11 de Maio de 2018)

Era interessante um dia arranjar um formato mais bonito para isto (e nada impede que no futuro volte a este post e o edite para ficar de acordo com esse eventual formato), mas para já vai assim…

Nota: os valores em geral são arredondados.

Gastos na conta bancária:

  • 36€ – água (mensal)
  • 82€ – telecomunicações (mensal)
  • 11€ – refeição perto do trabalho (um dia em que o cartão de refeições não estava a ser aceite, for some reason)

Gastos no cartão de refeições:

  • 32€ (4 refeições)

Gastos no cartão de crédito para as compras:

  • 67€ – 2 Kickstarters em que tinha participado há tempos e que terminaram agora
  • 7€ – revistas assinadas no Kindle (mensal)
  • 4€ – comics assinados no Comixology
  • 15€ – assinatura anual da revista Money (formato digital)
  • 85€ – encomenda de supermercado
  • 48€ – análises que tive de fazer

Total: 387€

(Não incluo o Telfast que comprei ontem na farmácia, que paguei em dinheiro que tinha levantado na semana passada, e que portanto já tinha saído da conta bancária.)

Ainda é bastante. 🙁 OK, várias destas coisas são “restos” de outros tempos (Kickstarters), várias delas são mensais (água, telecomunicações, supermercado), outra é anual (assinatura da revista), e outra foi uma vez sem exemplo (análises). Excluindo isso tudo, o valor para esta semana seria… 54€. Esse valor já não é assim tão mau… mas, claro, as despesas mensais não são para ignorar (até porque são divididas pelas várias semanas do mês — ou seja, para a semana há outras).

Por outro lado: não há gastos em pequenos-almoços no trabalho, lanches, cafés, lattes, minis, tabaco (não fumo), saídas à noite, lugares de garagem, nem nenhuma das outras coisas que a maioria das pessoas consome regularmente. Acho que podia estar bem pior. Optimismo! 🙂

(Nota: esta é a “Semana 1” porque foi nela que comecei a fazer isto. A ideia é continuar a aumentar esse número, sempre a partir desta semana — ou seja, não tem nenhuma equivalência com a semana do ano.)

Posts regulares futuros

Isto tudo ainda é novo, por isso é natural que o formato vá mudando, mas, para já, a minha ideia em relação a posts regulares é:

  • Semanalmente (sextas-feiras, provavelmente) listar os gastos da semana (ainda não sei bem em que formato, mas tenho até amanhã para decidir);
  • Mensalmente (no dia em que for actualizado o mapa de responsabilidades de crédito, ou talvez um dia ou dois a seguir), listar as dívidas especificadas no mesmo, referentes ao último dia do mês anterior, separadas pelos vários tipos de dívida (créditos, cartões de crédito, etc.) e a diferença/evolução de cada um desses tipos. De certa forma, o primeiro post da situação actual pode ser visto como o primeiro destes, se bem que devo inventar um formato mais “standard” para os seguintes. Penso também criar uma categoria para eles (e  para eles), de forma a ser possível seguir os vários posts por ordem cronológica.

Isto, como disse, serão os posts regulares. No meio dos mesmos haverá outros, claro, sobre assuntos diversos — ideias, coisas que vou aprendendo, etc..

Pensei também em, quando as dívidas estiverem pagas, fazer posts sobre a evolução dos investimentos, mas posts tipo “quanto dinheiro tenho” são sempre perigosos em termos de privacidade, por isso, a não ser que dê para contornar esse problema, é provável que não os faça.

Afinal, quanto é que é preciso para a independência financeira?

Eu sei que ainda está longe, mas… 🙂

Há basicamente 2 formas de calcular o valor aproximado para uma pessoa nunca mais ter de trabalhar (o que não impede que o faça ocasionalmente, ou até o continue a fazer continuamente por anos — mas aí é nas nossas condições, e não nas deles) e viver dos investimentos.

A forma mais conservadora, e que é usada em calculadoras como esta (seleccionar “Time to Financial Independence”), funciona assim: decide-se com quanto dinheiro por ano se quer viver (o que depende de cada um, claro). Depois, assumindo (pela média dos últimos 30 anos) um rendimento de 7% dos investimentos, e uma inflação de 3%, faz-se a diferença desses valores (4%), que é quanto se pode gastar por ano para os investimentos se manterem estáveis “para sempre”. Ou seja,

investimento total * 4% = valor com que se quer viver por ano,

resolvendo para investimento total.1 Depois, a calculadora acima também permite que lhe digamos quanto conseguimos investir por mês, e calcula quantos meses (sempre contando com os 4% de retorno de investimento) precisaremos de investir esse valor.

No meu caso, e assim só pela piada: se quisesse viver com 24000€ por ano (2000€/mês, o que é bem mais do que actualmente gasto “comigo”, diga-se de passagem), precisaria de um investimento total de 600K, que, se conseguisse investir 1000€ por mês, demoraria… 27.5 anos. Ou seja, independência financeira aos 70 anos… o que não é melhor em termos de idade do que o que toda a gente faz; a diferença é que estaria reformado com um “ordenado” vitalício de 2000€ além da reforma que receberia da segurança social. Mas… teria 70 anos. Não é que uma pessoa esteja “acabada”; conheço quem, precisamente aos 70, se divirta mais e tenha mais energia do que tinha aos 50. Mas…

Quero melhor. Quero ter esse tipo de vida tão cedo quanto possível.

Se aumentasse os lucros, não mudasse o nível de vida, e conseguisse investir o dobro (2000€/mês), o tempo passaria para 17.5 anos. Melhor, já me “reformo” aos 60… 🙂 Mas acredito que é possível fazer melhor ainda. Bem melhor.

O acima é a forma conservadora, porquê? Porque, além de assumir que os lucros (e, por conseguinte, o valor mensal investido) serão constantes, também assume que a pessoa, depois de se atingir a independência financeira, nunca mais ganha dinheiro de nenhuma forma — nem faz biscates, nem tem qualquer tipo de rendimentos passivos. (E também assume que a pessoa “tem” de deixar todo o investimento para os descendentes –reparem que o cálculo com os 4% exige que o investimento nunca desça –, mas não vamos por aí agora.)

A alternativa é não pensar tanto no “para sempre”.

Vamos imaginar que quero viver com 2000€ por mês, como antes (o que, como disse, é bem mais do que gasto “comigo” actualmente — seria uma tremenda subida do nível de vida), e que não tenho quaisquer dívidas. Logicamente, para viver 1 ano sem trabalhar precisaria de 2×12=24K; para 10 anos, precisaria de 240K. Com esse dinheiro, à partida, poderia viver 10 anos a gastar 2000€ todos os meses, e saberia exactamente o mês e o ano em que esse dinheiro acabaria.

Ah, espera, mas tenho uns rendimentos passivos que me rendem (suponhamos) 250€/mês (com possibilidade de aumentarem, mas esqueçamos isso agora). Isso quer dizer que só tenho de tirar 1750€ por mês (21K por ano) dos 240K. Desta forma, os 240K já não dão só para 120 meses (10 anos), mas sim para 137 (quase 11 anos e meio).

Ah, espera outra vez, os 240K não vão estar debaixo do colchão ou numa conta bancária; vão estar investidos, a render, em média (tirando a inflação) 4%/ano. OK, para isto preciso de uma folha de cálculo… deixa ver…

Mais de 15 anos.

Isto sem fazer um minuto de trabalho remunerado. Mas será esse o caso? Continuo a ser bastante bom no que faço, tenho mais de 20 anos de experiência, tenho propostas no LinkedIn todas as semanas há mais de 2 anos, e de certeza que, sempre que quiser, conseguirei trabalhar em projectos de duração limitada, ou até simplesmente participar em projectos que ache interessantes, por quanto tempo quiser. Cada remuneração extra aumentará os 15 anos acima mencionados, e qualquer trabalho será muito mais agradável, e muito menos stressante, se souber que não preciso dele, que posso sair de um dia para o outro se quiser. Aliás, nessas condições uma pessoa pode negociar de uma forma completamente diferente (“preciso de mais tempo livre; quero passar a trabalhar só 4 dias por semana, recebendo menos 20%. O quê, isso não é possível? <aperto de mão> Foi um prazer trabalhar convosco…” 🙂 ).

E de certeza que criarei outros projectos (novos sites? escrever e publicar ebooks de não-ficção? outras coisas?) que estenderão ainda mais a duração dos investimentos, chegando a um ponto em que — a não ser que viva para sempre — eles durem mais do que o meu tempo de vida restante.

Quanto tempo seria necessário para juntar esses 240K? Investindo “apenas” 1000€/mês, e contando com rendimentos a 4% anuais reinvestidos… 15 anos. É a melhor alternativa até agora, mas ainda está longe de ser perfeita — por isso toca a aumentar os rendimentos. 🙂

Mas tudo isto ainda está muito, muito longe. Para já… acabar de pagar o carro, e “limpar” os cartões de crédito. E depois os outros créditos. E pensar — sempre — em formas de entrar mais dinheiro, claro.