Porque é que quero chegar à independência financeira?

(Este post não será “típico”, com princípio, meio e fim. Ao invés disso, vai ser apenas uma lista de várias respostas — pela ordem que me vierem à cabeça, não é ordem de importância — à pergunta do título.)

1- Porque quero ter tempo para fazer as coisas de que gosto. Não me quero armar em “coitadinho” ou em “vítima”; obviamente que há quem, com trabalhos e/ou chefes mais complicados, trabalhe bem mais horas por semana do que eu, e isso sem sequer mencionar quem tem filhos pequenos, ou alguém doente de quem cuidar, por exemplo. Mas, mesmo assim, cada vez mais sinto que a maior parte das coisas que gosto de fazer têm, nos últimos anos, ficado cada vez mais para trás, que nos dias da semana pouco mais faço do que chegar a casa, fazer o jantar e devorá-lo, e depois ler ou jogar algo que não exija muito tempo no tablet, ou ver alguma coisa no Netflix, já na cama — e  normalmente não por muito tempo, já que depois vem o sono e o “amanhã é dia de trabalho“. Sinto falta dos tempos em que lia um ou dois livros por semana, podia jogar videojogos durante horas, e coisas do género. E quero ter a opção de, mesmo não estando totalmente a viver de rendimentos, poder eventualmente reduzir a carga horária para, por exemplo, ter um dia de folga a mais por semana (com a equivalente redução salarial, é claro) — coisa que acredito que não consiga negociar enquanto “precisar” de um emprego.

2- Porque não quero que os próximos 20 anos de carreira sejam como os 20 anteriores. Depois de duas décadas de trabalho, o que é que eu tenho para mostrar, em termos de progresso? Nada de especial, só uns sites que me dão alguns rendimentos passivos (nada do outro mundo)… e dívidas. (OK, tenho também experiência de trabalho, sei que sou bom no que faço, e é raro passar uma semana sem uma oferta de emprego no LinkedIn.) Acredito que é possível fazer melhor, que é possível garantir que cada um dos próximos anos da minha vida será melhor que o anterior, que terei uma posição financeira mais estável, com menos stress. Sim, é para todos os efeitos começar nos 40s o que devia ter começado nos 20s. E não estou, obviamente, a ficar mais jovem. Paciência; é melhor que nada.

3- Porque, se um dia tiver filhos, quero estar presente na vida deles, em vez de fazer como a maior parte das pessoas infelizmente parece ser obrigada a fazer: ir de madrugada deixar os filhos ao infantário/escola, sair do trabalho às tantas e ir buscá-los, e depois chegar a casa de rastos, sem “pedalada” para ainda “ser pai”, e só a pensar em ir para a cama… para repetir no dia seguinte. Acho que crianças merecem melhor que isto, e não acredito que tal seja um problema insolúvel. (Nota: não estou a criticar pais que sacrificam tudo, incluindo tempo, saúde, vida pessoal, hobbies, etc., para dar o melhor que podem aos filhos — mas os filhos não querem que os pais se matem a trabalhar por eles, querem (e precisam) é que os pais estejam presentes. Acreditem.)

4- Porque (citando aqui o Mr. Money Mustache — ver este vídeo) o trabalho é muito melhor quando não precisamos do dinheiro. Acredito que a nossa atitude mude completamente — não para arrogância, mas apenas para uma absoluta autoconfiança e sensação de paz. Deixamos de tolerar certas coisas, e podemos escolher fazer algo de que realmente gostemos, seja um emprego numa área completamente diferente, sejam projectos pessoais — mesmo que dê menos dinheiro.

5- Porque — e aqui aposto que vou ter pouca gente a concordar comigo (não queres é fazer nenhum!” “o mundo real não é assim!“, etc.), tão “formatados” que estamos todos para achar isto normal e universal — acho que a vida não devia ser assim. Não tenho nada contra trabalhar-se, sobretudo se estivermos a fazer algo que não só nos permita crescer como pessoa como também torne o mundo melhor, e obviamente que quem não o quer fazer não tem nada que ser um peso para a sociedade, mas a ideia de que é suposto chegarmos aos 20 anos ou isso (tendo passado a vida em salas de aula nos últimos 15), e depois trabalharmos os 50 anos seguintes sem interrupção, até que finalmente, OK, já sofremos bastante, “o universo” já está satisfeito, podemos agora descansar e viver a vida… mas, se entretanto não tivermos morrido de ataque cardíaco ou isso, não nos livramos de uma coisa: temos 70 anos. Não estamos acabados (longe disso), mas… não sei, acho que o propósito da vida devia ser a nossa felicidade, e não o trabalho. Ou seja, trabalhar para viver, e não viver para trabalhar.

E, sim, reconheço que a culpa aqui é toda minha; que, se tivesse nos últimos 20 anos poupado nem que fosse 10-15% do que ganhei, teria agora o suficiente para 1) tirar um ano ou outro para descansar/inventar projectos quando precisasse ou me apetecesse (sem ter de pedir empréstimos/créditos para ter dinheiro para isso), e/ou 2) já ter a independência financeira à vista — numa questão de anos, não de décadas.

Enfim, leite derramado e essas coisas; o importante é aprender com os erros, corrigi-los, e evoluir como pessoa, e não é tarde para isso. Entretanto, vamos ver como é que corre o primeiro dia a ir para o trabalho a pé: amanhã. Se amanhã não postar aqui, provavelmente aparecerei umas semanas depois, com uma barba enorme e a roupa toda rasgada, e a contar alguma história fantástica sobre “javalis” ou “ursos”. 😉

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