Ideia: Ir a pé para o trabalho?

Nos vários sites, blogs, livros, podcasts, etc. sobre independência financeira, frugalidade, etc. (e, sim, já li/ouvi muitos, e vou continuar a fazê-lo, o tema cada vez me interessa mais), um dos problemas que os autores tipicamente apontam como dos mais importantes a resolver (depois de cartões de crédito e afins, que são considerados uma emergência) é o dos transportes. Ou seja, referem que a maior parte das pessoas vive relativamente longe do trabalho, e por isso desperdiça tempo (2h ou mais, muitas vezes) e gasolina todos os dias, e, ao fim do mês, essa é das maiores despesas (para não falar do tempo perdido, em que a pessoa podia estar a fazer alguma coisa útil para a sua independência financeira, ou pelo menos algo agradável).

A solução sugerida para isso passa quase sempre por:

  1. trabalhar perto de casa (mudando de emprego ou de casa — esta última não é tão difícil nos EUA, já que quase toda a gente antes dos 40 aluga casa em vez de comprar);
  2. ir para o trabalho de bicicleta (ou mesmo a pé, se possível), deixando o monstro poluidor e sedento de gasolina em casa (ou mesmo não tendo um, se a vida o permitir). Bónus: é bom para a saúde, também.

Ora, eu efectivamente trabalho perto de casa e, como disse aqui, se não houver outros “passeios”, consigo que o depósito do carro dure mais de 30 dias, o que julgo ser bem mais do que a maioria dos portugueses (que, admitamos, também gosta bem mais de conduzir do que eu).

Mas, mesmo assim, pus-me a pensar: daria para fazer melhor?

Bicicleta não me parece; as subidas e descidas que passo para o meu trabalho são terríveis, há vários sítios apertados em que não daria para passar ao lado dos carros, e os condutores portugueses são o que são. Mas, e que tal ir a pé?

Segundo o Google Maps, o caminho melhor a pé é de 4.5 km, e demora aproximadamente 60 minutos. É mais do que os 15 que demoro actualmente de carro, mas menos do que já cheguei a fazer quando trabalhava em certas partes de Lisboa (Saldanha, aeroporto, etc.)… além de que pelo menos sei que demorará exactamente isso, sem ter de lidar com filas de trânsito e afins. E as duas horas a andar por dia passam-se bem a ouvir audiobooks ou podcasts. 🙂

O trajecto sugerido (que não é o que faço de carro) ainda inclui uma grande volta, mas há um ponto em que acho que deve dar para cortar caminho, assumindo que não é nenhuma propriedade privada. Se der, então deve ficar somente em uns 45 minutos.

Se estiver bom tempo, vou experimentar isto na próxima terça-feira. (Não o farei logo na segunda, porque nesse dia tenho de levar a mochila com o portátil, o que ainda pesa um bocado, se bem que não ponho de parte a hipótese de o fazer no futuro). Mesmo que só faça isto 3 dias por semana (nas sextas também tenho de voltar carregado), estarei a reduzir o meu consumo de gasolina em 3/5. O que, pelas minhas contas “em cima do joelho”, me fará ter de atestar o depósito apenas de 70 em 70 dias (se não houver outros passeios ou viagens, claro), o que quer dizer que, se atestar no fim de um mês, posso ficar os 2 meses seguintes sem ir a uma bomba. Nada mau, não? 🙂 (A única parte chata é que no inverno já não me imagino a fazer isto, por sair do trabalho já de noite.)

E isto para não falar nas vantagens para a saúde. A ver se finalmente mostro a esta barriga quem é que manda aqui. 🙂

Vamos ver como corre, na próxima terça-feira. Depois partilharei aqui, é claro.

2 comentários em “Ideia: Ir a pé para o trabalho?”

  1. Olá! Boa tarde!
    Eu com a mudança de trabalho em agosto passado passei de gastar com o passe mensal cerca de 150€ e 3h diárias em deslocações para 5min. a pé e 0€ em transportes. Gasto apenas sola de sapato. 🙂
    Tenho poupado imenso e ganhei uma qualidade de vida extra.
    Bom fim de semana!

    1. Olá. 5 minutos é mesmo óptimo; agora fiquei com inveja. 🙂 (excepto na parte do exercício físico que espero passar a ter).

      O melhor que já tive foi há uns 10 anos (bem, agora senti-me velho, isso já foi o *meio* da minha carreira até agora), quando demorava uns 20-25 minutos a pé. E, realmente, faz imensa diferença, não só em termos de poupança, como de qualidade de vida. É incrível (e triste, acho) como a maioria das pessoas acha que conduzir 2h ou mais todos os dias é perfeitamente normal e aceitável, em vez de verem isso como um problema a resolver com alguma urgência…

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