Coisas e tal, edição 20190410

Como já devem ter reparado, tem havido alguma falta de posts aqui, e há, infelizmente, uma boa razão para isso: sobrecarga no trabalho. Estou envolvido em N coisas ao mesmo tempo, todas “urgentes”, todas “para ontem”, todas “importantíssimas”, e todas assignadas a mim — quem me mandou conseguir uma reputação de fazer as coisas depressa e bem? 😐 Não só não tenho tempo nenhum livre, como, sobretudo, ando mesmo sem cabeça para nada, seja ler ou escrever. E o stress também não anda fácil de gerir; estou a pensar experimentar meditação (coisa em relação à qual já tenho curiosidade há anos, mas tenho uma cabeça que funciona “a mil à hora” e para a qual 5 minutos parecem uma eternidade…), além de também ter de rever certas coisas, tanto atitudes minhas (como a minha dificuldade em dizer “não”, que me leva a aceitar/tentar carregar mais “peso” do que o que é possível por períodos mais prolongados) como o facto de chefes e colegas se estarem a apoiar demasiado em mim.

Anyway; como disse, já tenho planos para lidar com isso, tanto em termos de não me deixar afectar tanto e reduzir o stress, como de começar a dizer “não” e a “disciplinar” chefes e colegas.

E isto tudo só me faz sonhar mais com a independência financeira… mas ainda está longe. 🙁 Nem estou perto, para já, de ter o chamado “dinheiro vai-te F…“: se tivesse dinheiro para ficar uns 6 meses sem ordenado, incluindo não só as despesas básicas como também as prestações dos créditos, poderia tentar arranjar forma de descansar durante uns tempos… mas espero ter alguma coisa desse género lá para o fim do ano, ou início do próximo. Depois logo se vê.

Enfim. Desculpem o desabafo.

De resto, “cenas dos próximos episódios”: ando a ler o livro “The Magic of Thinking Big“, do David Schwartz (já há semanas — não tenho tido, mesmo, nem tempo nem cabeça, como já disse acima), e ao mesmo tempo, em audiobook, (sobretudo a conduzir, ou às vezes a fazer outras coisas em casa que não precisam da atenção toda) o “Love Your Life, Not Theirs“, da Rachel Cruze (filha do Dave Ramsey, por acaso), do qual estou a gostar — é mais introdutório do que outros, e o público alvo (“millennials”) é um pouco mais jovem do que eu, mas está a ser uma leitura (ou audição, neste caso) agradável. Até agora (e o título sugere mesmo isso) trata sobretudo de deixarmos de nos comparar a outros, o que faz com que se compre coisas (muitas vezes a crédito) por competição, mas também trata de gestão do dinheiro, “budgets”, etc.. Ainda não cheguei a meio, no entanto. Infelizmente, em audiobook não é tão fácil “sublinhar” partes para depois traduzir e citar aqui no blog…

Sem ser isso, tenho mais uns posts em mente (“Keeping up with the Joneses” — ainda tenho de descobrir (ou inventar) uma expressão equivalente em português –; possivelmente a reforma cedo e como a mesma pode funcionar (tanto para mim como de forma mais geral); como a minha vida podia ser diferente se tivesse começado a poupar e investir, mesmo que muito pouco, quando comecei a trabalhar, etc.), além de que penso eventualmente fazer mais experiências (Raize, Housers, etc.) e publicá-las aqui, mas, como disse, não sei quando é que vou ter tempo e cabeça para os escrever. Talvez para a semana…

Investimento: alguns conceitos básicos

Acções? Obrigações? Fundos? ETFs? Achei que estes conceitos faziam falta na lista, mas ao mesmo tempo, como estão todos relacionados entre eles e as definições são relativamente breves, escolhi fazer um único post. Espero que seja útil. 🙂

S&P 500

Acções

(também conhecidas por “ações” para quem segue o Acordo Ortográfico 🙂 )

Uma acção (“stock“, em inglês) é, na sua definição mais simples, um “pedacinho” de uma empresa, que, depois de comprada, faz de nós “accionistas” da mesma. Uma acção pode ser comprada ou vendida ao preço actual da mesma, e pode (mas não acontece com todas) pagar dividendos aos seus donos (em geral alguns cêntimos por cada acção possuída), normalmente de forma anual, semestral ou trimestral.

Obrigações

Obrigações (em inglês, “bonds”) são, para todos os efeitos, um empréstimo que fazemos a algo em geral “maior” do que nós: muitas vezes o próprio país/estado, mas também podem ser empresas ou outras organizações. Tal como as acções, também podem ser compradas ou vendidas. Tendem a ser menos voláteis (isto é, variar menos) do que as acções.

(NOTA: A sabedoria popular, há uns anos, sugeria que a percentagem de obrigações no nosso portfolio devia ser equivalente à nossa idade: por exemplo, tendo 30 anos, dever-se-ia ter 30% de obrigações (e os restantes 70% em acções), ajustando essas proporções — comprando umas e vendendo outras — à medida que se envelhece. Actualmente, isso é visto (sobretudo na comunidade de independência financeira) como demasiado conservador; faz talvez sentido ter algumas obrigações para servir de “almofada” quando acontecem “crashes” e afins, mas mais do que 10% antes dos 60 anos faz provavelmente pouco sentido, já que acções historicamente rendem bastante mais, por isso ao “apoiarmo-nos” demasiado nas obrigações por um longo período de tempo (ex. décadas) estamos efectivamente a perder dinheiro. Anyway, nada disto são conselhos de investimento, OK? 🙂 )

Fundos mútuos

Fundos mútuos (“mutual funds”) são um conjunto/portfolio de acções (ou possivelmente obrigações, ou até uma mistura de ambas, mas o mais frequente é tratar-se só das primeiras) englobadas num fundo disponibilizado por uma organização, tornando-se a pessoa cliente dessa organização. Estes fundos podem ser geridos ou passivos/de índice.

Um fundo gerido (“managed fund”), como o próprio nome sugere, é mantido por alguém — uma pessoa, ou, mais frequentemente, uma equipa pertencente a uma empresa — que decide, e ajusta, que acções (e possivelmente obrigações, se for um fundo híbrido) fazem parte desse fundo, e em que proporção. Essa pessoa ou equipa, desta forma, tentam antecipar os mercados, na esperança de comprar barato e vender caro, tentando prever/adivinhar o que vai subir ou descer. (Isto é feito normalmente através de análise técnica (ver padrões em gráficos) e análise fundamental (tentar ver se a empresa está “cara” ou “barata”), mas estes conceitos são demasiado complexos para um artigo introdutório, além de que acredito que há uma alternativa mais simples e superior — já lá vamos.) E, naturalmente, essa pessoa, equipa, empresa, etc. não vende os seus serviços barato…

Por outro lado, um fundo de índice (“index fund”) é gerido passivamente, de forma automática; ele simplesmente tenta reproduzir uma lista/índice de acções, como por exemplo o S&P 500, ou o seu equivalente de outro país (ex. o PSI-20 em Portugal), ou até mesmo a totalidade de uma bolsa, ou de todas as bolsas do mundo, e nas proporções apropriadas (ex. se a empresa em primeiro lugar no índice tem 10% do valor do mesmo, então as acções dessa empresa serão 10% do fundo de índice em questão). No caso de um fundo deste tipo (também há fundos de índice mais específicos, por exemplo a seguir empresas só de determinada área, como por exemplo o imobiliário, biotecnologia, etc.), para todos os efeitos, ele “segue” o mercado em questão, subindo quando ele sobe e descendo quando ele desce. Acaba, portanto, por ser equivalente à média do mercado — e, historicamente, têm superado os fundos geridos manualmente. E, como estes fundos não são geridos manualmente, acabam por ter comissões muito mais baixas (normalmente entre 0.07% e 0.25%) do que os referidos fundos geridos.

ETFs

ETF” são as iniciais de “Exchange-Traded Fund”, ou seja, fundo negociado na bolsa. São, portanto, uma união de dois conceitos: acçõesfundos mútuos. Desta forma, permitem acesso fácil e rápido a fundos (normalmente de índice, mas também existem ETFs de fundos geridos manualmente), com a possibilidade de comprá-los ou vendê-los de forma quase instantânea (é igual a comprar ou vender acções individuais), e com tarifas/custos muito baixos, o que os torna actualmente tão populares. Por último, comprar ETFs não nos torna clientes directamente da empresa que os gere (ex. Vanguard, iShares, etc.), já que as compras e vendas podem ser feitas pelo indivíduo directamente numa correctora (ex. DeGiro), se bem que há também a possibilidade de usar um “robo-advisor” como o ETFmatic.

(Actualmente tudo o que tenho é em ETFs, se bem que já “brinquei” com acções individuais há uns anos.) 

Acumulação vs. Investimento: mês #2

Meses de acumulação e investimento: 2

Acumulação: 100%

Investimento: 102.44%, dos quais 0.06% são resultado de dividendos, e que já excluem 0,01% (do valor total dos investimentos) retirados por tarifas do ETFmatic. 1

Nada de excitante, mas de certa forma também não é suposto sê-lo… além de que 2 meses não são nada, obviamente.

Ainda é cedo para começar a fazer gráficos, já que só teria 2 posições horizontais. 🙂 Mais uns meses…

Dúvidas? Questões? Estejam à vontade.

Evolução mensal das dívidas #11 (28 de Fevereiro de 2019)

Blá blá blá mapa de responsabilidades blá blá. 🙂

(valores ligeiramente arredondados, como sempre.)

  • Cartões de crédito: 0€ (menos 15€ que no mês anterior)
  • Créditos: 28685 (menos 245€ que no mês anterior)

Total em dívida: 28685.

Evolução desde o fim de Janeiro: menos 260€.

Já tinha avisado que estes posts iam ficar um pouco monótonos, já que os pagamentos dos créditos são fixos (e ainda estou longe de ter juntado alguma coisa para fazer “mossa” neles). Enfim, sempre vou registando o progresso.

Uma pequena novidade (que penso passar a incluir sempre nestes posts, actualizado): um gráfico da evolução das minhas dívidas desde que comecei a registar isto, em Janeiro de 2017 (quase ano e meio antes de começar o OvelhaOstra):

Evolução das dívidas - Fevereiro de 2019

Até parece que conta uma história, não é? 🙂 Para os curiosos, o blog começou a 30 de Abril de 2018, e é bom ver que desde aí me portei bem (todas as cores só diminuiram a partir dessa data, tendo duas delas entretanto desaparecido).

Mais juros compostos: o poder de começar mais cedo

Como ainda não vos chateei o suficiente sobre juros compostos, partilho aqui uma demonstração (isto faz-se em um minuto ou dois com uma folha de cálculo tipo Excel) de como, mais do que investir “muito”, o importante é começar cedo.

Tal como no post anterior, vamos assumir que os juros conseguidos são 5% ao ano (como passo a vida a dizer, isso é menos do que a média histórica de um index fund de S&P500 nos últimos 30 anos, por isso é uma estimativa conservadora). Vamos criar aqui duas novas personagens para o exército OvelhaOstra: a Anabela e a Beatriz (sim, as iniciais serem A e B é intencional 🙂 ). Ambas vão investir, tal como a Rita no exemplo anterior, 100€/mês (ou 1200€/ano), durante 25 anos, mas com uma diferença fundamental:

  • a Anabela começa cedo (no ano 1), mas deixa de investir nos últimos 5 anos (anos 21 a 25), ficando só a ganhar juros do que já tem investido;
  • por outro lado, a Beatriz não investe nada nos primeiros 5 anos (anos 1 a 5), mas depois disso investe regularmente até ao ano 25.

Por outras palavras, no fim dos 25 anos, cada uma investiu 1200€ por ano durante 20 anos seguidos (total de 24000€). Como é que acham que as nossas amigas vão estar no fim do ano 25? Mais ou menos na mesma (afinal investiram a mesma quantia, no total)? Ou uma delas terá um pouco mais?

Que tal mais de 10000€ de diferença, a favor da Anabela?

Anabela vs. Beatriz – 25 anos

Querem um gráfico? Arranja-se um gráfico:

Anabela vs Beatriz - gráfico
Anabela vs Beatriz – gráfico

Reparem como, depois do ano 20, a Anabela “abranda” um pouco (por parar de investir), mas  mesmo assim o avanço que tem é mais que suficiente para acabar com 10K€ a mais do que a rival amiga.

Querem mais? Vamos supor que a Beatriz tenta recuperar o tempo perdido e, nos últimos 5 anos, investe o dobro: 2400€/ano. Acham que chega para alcançar a Anabela, que nesses 5 anos continua a não investir mais nada? A resposta é não. Mostrando somente os últimos anos:

A (quase) vingança da Beatriz

Como podem ver, a Anabela continua com uns 4300€ a mais. Ou em gráfico:

A quase-vingança da Beatriz

Em resumo: começar cedo é o mais importante aqui, já que mesmo parando de investir, depois de certo ponto os juros compostos fazem os investimentos continuar a crescer sozinhos. E, para recuperar o tempo perdido, é necessário um investimento bem maior — neste exemplo, vimos que mesmo duplicando o investimento nos últimos 5 anos, não se alcançou quem simplesmente começou 5 anos mais cedo.