Afinal, quanto é que é preciso para a independência financeira?

Eu sei que ainda está longe, mas… 🙂

Há basicamente 2 formas de calcular o valor aproximado para uma pessoa nunca mais ter de trabalhar (o que não impede que o faça ocasionalmente, ou até o continue a fazer continuamente por anos — mas aí é nas nossas condições, e não nas deles) e viver dos investimentos.

A forma mais conservadora, e que é usada em calculadoras como esta (seleccionar “Time to Financial Independence”), funciona assim: decide-se com quanto dinheiro por ano se quer viver (o que depende de cada um, claro). Depois, assumindo (pela média dos últimos 30 anos) um rendimento de 7% dos investimentos, e uma inflação de 3%, faz-se a diferença desses valores (4%), que é quanto se pode gastar por ano para os investimentos se manterem estáveis “para sempre”. Ou seja,

investimento total * 4% = valor com que se quer viver por ano,

resolvendo para investimento total.1 Depois, a calculadora acima também permite que lhe digamos quanto conseguimos investir por mês, e calcula quantos meses (sempre contando com os 4% de retorno de investimento) precisaremos de investir esse valor.

No meu caso, e assim só pela piada: se quisesse viver com 24000€ por ano (2000€/mês, o que é bem mais do que actualmente gasto “comigo”, diga-se de passagem), precisaria de um investimento total de 600K, que, se conseguisse investir 1000€ por mês, demoraria… 27.5 anos. Ou seja, independência financeira aos 70 anos… o que não é melhor em termos de idade do que o que toda a gente faz; a diferença é que estaria reformado com um “ordenado” vitalício de 2000€ além da reforma que receberia da segurança social. Mas… teria 70 anos. Não é que uma pessoa esteja “acabada”; conheço quem, precisamente aos 70, se divirta mais e tenha mais energia do que tinha aos 50. Mas…

Quero melhor. Quero ter esse tipo de vida tão cedo quanto possível.

Se aumentasse os lucros, não mudasse o nível de vida, e conseguisse investir o dobro (2000€/mês), o tempo passaria para 17.5 anos. Melhor, já me “reformo” aos 60… 🙂 Mas acredito que é possível fazer melhor ainda. Bem melhor.

O acima é a forma conservadora, porquê? Porque, além de assumir que os lucros (e, por conseguinte, o valor mensal investido) serão constantes, também assume que a pessoa, depois de se atingir a independência financeira, nunca mais ganha dinheiro de nenhuma forma — nem faz biscates, nem tem qualquer tipo de rendimentos passivos. (E também assume que a pessoa “tem” de deixar todo o investimento para os descendentes –reparem que o cálculo com os 4% exige que o investimento nunca desça –, mas não vamos por aí agora.)

A alternativa é não pensar tanto no “para sempre”.

Vamos imaginar que quero viver com 2000€ por mês, como antes (o que, como disse, é bem mais do que gasto “comigo” actualmente — seria uma tremenda subida do nível de vida), e que não tenho quaisquer dívidas. Logicamente, para viver 1 ano sem trabalhar precisaria de 2×12=24K; para 10 anos, precisaria de 240K. Com esse dinheiro, à partida, poderia viver 10 anos a gastar 2000€ todos os meses, e saberia exactamente o mês e o ano em que esse dinheiro acabaria.

Ah, espera, mas tenho uns rendimentos passivos que me rendem (suponhamos) 250€/mês (com possibilidade de aumentarem, mas esqueçamos isso agora). Isso quer dizer que só tenho de tirar 1750€ por mês (21K por ano) dos 240K. Desta forma, os 240K já não dão só para 120 meses (10 anos), mas sim para 137 (quase 11 anos e meio).

Ah, espera outra vez, os 240K não vão estar debaixo do colchão ou numa conta bancária; vão estar investidos, a render, em média (tirando a inflação) 4%/ano. OK, para isto preciso de uma folha de cálculo… deixa ver…

Mais de 15 anos.

Isto sem fazer um minuto de trabalho remunerado. Mas será esse o caso? Continuo a ser bastante bom no que faço, tenho mais de 20 anos de experiência, tenho propostas no LinkedIn todas as semanas há mais de 2 anos, e de certeza que, sempre que quiser, conseguirei trabalhar em projectos de duração limitada, ou até simplesmente participar em projectos que ache interessantes, por quanto tempo quiser. Cada remuneração extra aumentará os 15 anos acima mencionados, e qualquer trabalho será muito mais agradável, e muito menos stressante, se souber que não preciso dele, que posso sair de um dia para o outro se quiser. Aliás, nessas condições uma pessoa pode negociar de uma forma completamente diferente (“preciso de mais tempo livre; quero passar a trabalhar só 4 dias por semana, recebendo menos 20%. O quê, isso não é possível? <aperto de mão> Foi um prazer trabalhar convosco…” 🙂 ).

E de certeza que criarei outros projectos (novos sites? escrever e publicar ebooks de não-ficção? outras coisas?) que estenderão ainda mais a duração dos investimentos, chegando a um ponto em que — a não ser que viva para sempre — eles durem mais do que o meu tempo de vida restante.

Quanto tempo seria necessário para juntar esses 240K? Investindo “apenas” 1000€/mês, e contando com rendimentos a 4% anuais reinvestidos… 15 anos. É a melhor alternativa até agora, mas ainda está longe de ser perfeita — por isso toca a aumentar os rendimentos. 🙂

Mas tudo isto ainda está muito, muito longe. Para já… acabar de pagar o carro, e “limpar” os cartões de crédito. E depois os outros créditos. E pensar — sempre — em formas de entrar mais dinheiro, claro.

  1. Um “atalho” é simplesmente multiplicar o valor que se quer gastar anualmente por 25. Por exemplo, 24K x 25 = 600K.

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