Mudança de planos!

Sim, com ponto de exclamação e tudo. 🙂

Já fui aqui várias vezes desafiado (por exemplo, pela ateiados20maisx (boas férias! 🙂 ), ou pelo B. Alves), a agir de forma mais “drástica” no sentido de me livrar dos créditos mais cedo, e eu sempre respondi que “ia ver” — em parte para não afectar a experiência Acumulação vs. Investimento, em parte por inércia, e em parte por também não querer estar a falar do que não sei — como, neste caso, a questão de como funcionam as amortizações parciais de um crédito.

Relativamente a esta última questão, tinha mencionado aqui que tinha posto a questão à empresa de crédito do crédito “grande” como funcionava isso, e tive hoje a resposta: é possível tanto reduzir as prestações, como reduzir o número total de meses, como reduzir ambos de uma vez (reduzindo menos cada coisa, obviamente). Até obtive uma simulação: se, na situação actual, amortizasse uns 5000€, isso poderia a) baixar a prestação em aproximadamente 100€, ou, em alternativa, b) reduzir o crédito em quase 20 meses (ainda faltam uns 7 anos, se deixar ir até ao fim).

A primeira hipótese parece-me bastante atraente — nem tanto numa de ter mais dinheiro “para gastar” (afinal, a ideia não é essa), mas sim pelo efeito “bola de neve” que isso provocará — no exemplo acima, se amortizasse em 5000€ e com isso “sobrassem” mais 100€ todos os meses, então demoraria menos tempo a juntar os 5000€ seguintes, que me permitiriam reduzir mais ainda a prestação… e, repetindo isto umas 4-5 vezes, acabo com o crédito. (Quem diz 5000€ diz qualquer outro valor, mas não sei se compensará estar a fazer isto “a conta gotas”, tipo uns 200-400€ todos os meses; os 5000€ parecem-me um valor razoável, e atingível em tempo útil).

(Nota: é possível que até compensasse mais a outra opção, de tirar meses do fim do crédito, em termos de juros pagos no total, mas eu preferia mesmo algo que fizesse diferença mais cedo. Se estiver a dizer algum disparate, digam!)

Isto implica, então, que:

  1. a prioridade passa a ser poupar dinheiro até este atingir os 5000€ (o que ainda deve demorar um ano ou mais, assumindo que não aumento os rendimentos de alguma forma, nem entra nenhum dinheiro extra). Isto significa que…
  2. … os investimentos ficam em stand-by (com uma pequena excepção — no mês que vem ainda vou juntar mais um pouco ao ETFmatic, só para ficar um valor total investido “redondo”). Podia até vender os que tenho e chegar aos 5000€ uns bons meses mais cedo, mas para já prefiro deixá-los como estão, a aumentar (espero eu) apenas graças a subidas nos mercados e a dividendos. (Não é garantido que não mude de ideias nos próximos tempos, no entanto.) Isto implica também que…
  3. … a experiência Acumulação vs. Investimento, que vou manter, vai passar a ter valores fictícios na parte da Acumulação. Ou seja, para a experiência, é como se tivesse acumulado exactamente o mesmo que investi, apesar de na realidade estar a acumular bem mais todos os meses (a partir de agora), e a investir zero (até acabar com os créditos). E, por último…
  4. … já mencionei que era mesmo, mesmo interessante aumentar os rendimentos? 😉

Vamos ver, então, quanto tempo demoro a juntar 5000€. 🙂 Desde que não se avarie nada entretanto…

EDIT: já agora, não o mencionei acima, mas, sendo assim, vou primeiro tratar do crédito “pequeno, actualmente pouco mais de 1000€, quantia essa que espero juntar nos próximos meses (3 ou 4, talvez). Eliminando isso, já são menos uns 80€ de despesas mensais, o que vai ajudar a acelerar o resto. 🙂

17 comentários em “Mudança de planos!”

  1. É tão bom voltar a ver isto mais activo!

    Olha eu acho que fazes bem. Provavelmente nenhum investimento que estás neste momento a fazer cobre o valor dos juros que estás a pagar nos créditos. Por isso, será um melhor investimento acabares com as dívidas o mais breve possível.

    Em relação à redução do tempo vs redução de prestação. É sempre melhor tempo, para além dos juros, normalmente existem outros produtos associados ao crédito, como seguros etc, que também devem ser contabilizados e que muitas vezes as pessoas não os consideram como custos do crédito. Mas compreendo que deve ser mais motivador ver a prestação reduzir. Em qualquer das formas, acho que já será uma vantagem reduzires em algo 😀

    1. Obrigado pela sugestão. 🙂 Por acaso já reduzi o seguro que pagava desde o início; nesta altura já não é muito mau. Da primeira vez quero mesmo reduzir a mensalidade (que ainda é um valor algo alto), mas nas vezes seguintes (quando juntar mais uns 5000€) talvez “ataque” também (ou alternativamente) a duração. É algo a ver na altura.

      Já agora, acabei de editar o post, já que me tinha completamente esquecido de mencionar o crédito mais pequeno, pelo qual vale sem dúvida a pena começar. 🙂

  2. O tema das amortizações extra interessa-me bastante. Ando nesta luta há algum tempo, já li várias opiniões e sei que cada caso é um caso, mas ainda não consegui decidir se devo focar-me primeiro no crédito da casa ou se no do carro… Ou se o melhor é ir reduzindo os dois…

    De qualquer forma, deixo aqui o meu testemunho:
    Para o crédito da casa tenho tentado amortizar +-2000€ em Junho/Julho e outro tanto no final do ano e ao mesmo tempo reduzir o prazo (o simulador do boonzi é ótimo para fazer estas contas de forma a chegar ao banco e dizer “quero amortizar x e reduzir o prazo em y”).. É certo que o valor da prestação neste caso mantém-se, mas penso que se reduzisse o valor da prestação, provavelmente iria “arranjar” outra coisa qualquer onde utilizar esse dinheiro.. E como o valor da prestação é baixinho, ia continuar a pagar um valor minúsculo, e mais juros e seguros, durante anos sem fim…

    Em termos de funcionamento, já tive um crédito em que bastava-me ligar para o apoio ao cliente até aos x dias antes da data da amortização definidos por lei (7, acho), eles faziam o agendamento da amortização extra sem qualquer problema e no dia da próxima prestação saía também o valor agendado..
    No caso do crédito habitação é diferente: tenho que ir à sucursal onde fiz o crédito fazer o pedido e assinar os papéis do aditamento ao contrato, o que se torna um bocado chato até porque a sucursal onde fiz o crédito não fica na minha rota diária.. E cada vez tenho mais a sensação de que o gestor de conta não gosta que eu faça amortizações.. Se calhar por causa de já ter reduzido mais de 16 anos 😀 😀 às vezes ainda perguntam porque é que não faço um PPR em vez de uma amortização extra, mas ainda não me conseguiram convencer… 🙂
    Já com o crédito automóvel que tenho atualmente, inicialmente enviei um email a perguntar como fazia e a pedir uma simulação..
    Como já percebi +- os cálculos, atualmente faço uma espécie de simulação (erro sempre o valor da próxima prestação por cêntimos mas dá para ter uma ideia 8D ) e depois é só fazer uma transferência para o nib deles, a seguir envio um email com o comprovativo da transferência e a indicar que pretendo reduzir a prestação.. Passados 2 ou 3 dias recebo o novo plano de amortizações e continuamos felizes..

    No caso do carro, como a prestação inicial era mais elevada, tenho pedido para reduzir a prestação sem mexer no prazo. Mas como é mais fácil fazer a amortização extra tenho feito pequenas amortizações (400€+-) quando tenho esse montante disponível.. É certo que é não é muito e pago uns 2€ de comissão, mas mesmo assim já reduzi a prestação mensal em cerca de 60€.. Fora os juros que não vou pagar, se fizer a conta a longo prazo. Este crédito ainda não tem 2 anos, por isso acho que até não me tenho portado mal 🙂

    Acho que, tendo algum dinheiro disponível, é um bom plano irmos fazendo amortizações extra.. Não só pela satisfação de vermos os valores em falta a descer (mesmo que pouco!!), mas também porque é uma mais-valia para o nosso histórico de relação com os bancos e pode fazer diferença num momento de maior aflição.. E no final provavelmente ainda vamos receber algum dinheiro dos seguros associados ao crédito.

    Como disse inicialmente, há medida que vou tendo algum dinheiro disponível a minha luta é perceber e decidir em qual dos créditos aplicar esse valor.. Não tenho esperado ter 5000€ para amortizar, é certo que é um valor mais redondo e se calhar ia ver maiores resultados na prestação/valor em falta, mas até chegar a esse valor, penso que ia acabar por desanimar, e se a vida mudar entretanto, vou ficar a pensar “mas porque é que quando tinha os 2500€ não os usei logo para amortizar?”.. Além de que quanto mais cedo se amortizar, são menos esses juros que se pagam, mesmo que pouco..

    De qualquer forma, ainda não consegui chegar a uma conclusão definitiva: é preferível pagar primeiro a casa? Reduzir um pouco mais o crédito do carro que perde o valor mais depressa? Ou mais vale ir “distribuindo o mal pelas aldeias”? – pode ser um bom tema para um post.. Que crédito devemos reduzir primeiro? O que tem a dívida maior mas menor taxa de juro? O que tem a dívida maior e taxa de juro reduzida? Os dois? Nenhum? Não ligar aos juros e pagar o que tiver a dívida menor para depois canalizar “as sobras” para o outro?.. Enfim acho que já percebeste e fica a sugestão 🙂

    PS: Desculpa o longo comentário..

    1. Não há nada a desculpar, agradeço o interesse. 🙂

      Em relação a por que ordem pagar créditos, não sei se já viste esta série de posts, onde falo precisamente disso, se bem que os exemplos são fictícios — não posso falar de créditos habitação por experiência própria, já que tenho a sorte de nunca ter tido um (e foi mesmo sorte, não foi mérito meu — tive um avô muito generoso…). De qualquer forma, talvez isso ajude. Mas muito resumidamente: sem ser o crédito habitação, talvez o melhor seja pagar do mais pequeno para o maior, tanto pela questão de fazer o tal efeito “bola de neve”, como pela parte psicológica de se ir tendo pequenas vitórias em tempo útil, que é mais relevante do que se pode pensar. Quanto ao da casa, se os juros do mesmo forem inferiores ao que uns investimentos num ETF bastante abrangente (S&P 500, ou todos os EUA, ou mesmo todo o mundo) rendem em média em uma década ou duas, talvez seja preferível investir, mas isso dependerá de cada caso específico.

      Os 5000€ foram só uma ideia, não é garantido que espere tanto — aliás, enquanto as prestações dos créditos (em breve, do crédito, espero eu) “doerem” como actualmente doem, é provável que comece por uns 2500€ ou algo semelhante. Mas, primeiro, o crédito “pequeno”…

    2. Olá Sofia! Trabalho na área da banca e sugiro que amortize mais no automóvel, isto porque a taxa é mais alta e o valor em divida é bem mais pequeno que a casa, penso eu 😉, outra razão é porque temos de aproveitar que a taxa euribor (associada ao CH) está negativa… O que neste caso o valor de juro pago é muito baixo. Quando amortizar o carro, aí sim, é investir nas amortizações no Ch. Mas atenção por que no Ch há penalizações por amortização antecipada que podem ir até aos 2% e isso há que ter em conta.

  3. Bom dia,

    Vou acompanhar. Vai ficar mais interessante. Quando começar a ver o credito a descer vai querer amortizar cada vez mais e o efeito bola de neve vai ser cada vez maior. Penso que com as taxas que esta a pagar pelo créditos muito dificilmente conseguiria taxas superiores nos investimentos.

    Se fosse eu amortizava sempre e deixava o mesmo prazo para reduzir a prestação. O dinheiro “extra” permitia poupar para amortizar novamente na prestação seguinte. Vai chegar a um ponto o valor mensal é tao residual que irá ter um montante capaz de eliminar o credito na totalidade.

    Se não tivesse que pagar mais por isso eu amortizava um pequeno valor todos os meses em vez de juntar um valor maior.

    Por exemplo no seu cenário imaginado que paga 500€ pelo dois créditos (450€ pelo maior + 50€ pelo menor). Eu trataria de eliminar o credito menor e continuaria a pagar os 500€ para o credito maior. Assim todos os vezes reduzia o valor em divida em 50€ e a sua prestação ia diminuindo. Mantendo sempre os 500€ todos os meses a amortização era maior cada mês que passava. Para ajudar este processo pensaria em formas de aumentar o rendimento. Todo o dinheiro extra que conseguiria iria para amortizar o credito.

    Em repostas à Sofia acredito que devemos acabar primeiro com a taxa mais alta/ menor valor. No seu caso penso que seria melhor amortizar o carro visto provavelmente será o menor valor e maior taxa de juro. Aproveita também o facto de a Euribor estar negativa e estar a pagar um valor mínimo pela casa para eliminar o credito do carro. Quando o terminar “ataca” em força o credito da casa. Se o conseguir fazer ainda antes da subida da Euribor é excelente.

    Boa sorte para o desafio Ovelha Ostra. Estarei acompanhar.

    Com os melhores cumprimentos,
    B. Alves

    1. Olá, Bruno. Obrigado pelo comentário. Sim, a minha ideia, para já, é mesmo fazer como dizes, algo deste género:

      1- juntar um valor (usei o exemplo de 5000€, mas provavelmente vou começar por uns 2500€ ou isso, pelo menos na primeira vez);
      2- baixar as prestações;
      3- juntar outra vez um valor (em menos tempo que no ponto 1, já que “sobra” mais dinheiro todos os meses);
      4- repetir 2-3 mais algumas vezes, até o valor que falte pagar do crédito já seja bastante mais reduzido, e as prestações já sejam tão pequenas que consiga juntar o valor total em falta em relativamente pouco tempo;
      5- pagar o restante e, pela primeira vez em décadas, não dever nada a ninguém. 🙂

      Como disse no post, isto talvez não seja o mais eficiente em termos de juros totais pagos, mas, lá está, há a tal questão psicológica que mencionei na resposta à Sofia: faz bem sentir progressos “palpáveis” na vida. Baixar o crédito de 7 anos para 5, por exemplo, não muda nada agora, mas passar a pagar menos 100€/mês já muda — nem que essa mudança seja apenas “vou chegar à próxima amortização mais depressa”.

  4. Bom dia 🙂
    Obrigada, já terminaram mas foram optimas 🙂

    Dentro das alternativas apresentadas, diminuir valor, tempo ou ambos, eu optaria mesmo pela redução de valor de prestações, pelo motivo que descreves, o efeito imediato de se “ver algo a acontecer” e por conseguir com o valor sobrante atingir x para repetir o processo.

    Sei que indicaste esse valor (5000€) por mero exemplo, mas eu não esperaria por ter os 5000€, avançaria aos 2.500€. Mas isto claro, toda a analise ao comportamento do crédito é necessária, e acredito que andar a injetar 500€ de cada vez, seja chato e sem grande resultado à vista.

    Levei 13 meses a juntar os meus primeiros 5000€, mas com realidades diferentes, acredito que vás conseguir bons avanços nesta história da dívida, vai partilhando, ajuda a manter o foco 🙂

    1. 5000€ em 13 meses não é nada mau, são cerca de 385€/mês, em média. 🙂 Eu neste momento não consigo juntar muito mais que isso (excepto nos meses de subsídios) — ganho mais (assumo eu, mas sendo informático provavelmente é verdade), mas tenho outras despesas por viver sozinho, além dos créditos, obviamente. Mas, com alguma optimização, vou ver se junto essa quantia (ou parte dela) em cada vez menos tempo.

  5. Olá,

    Gostaria da vossa opinião.

    Tenho um crédito habitação à 20 anos, faltam 5 para terminar.

    Neste momento o valor em divida é de 17.000€ mais ou menos, se juntar todas as minhas poupanças quase consigo eliminar a divida, mas fico completamente descapitalizada.

    Neste momento a minha taxa de juro é muito baixa e é o que me tem impedido de amortizar a divida, li que a Euribor vai continuar baixa.

    A minha filha mais velha em principio para o ano vai para a universidade, dificilmente vou conseguir pagar as 2 coisas ao mesmo tempo, mas também não tenho noção real das despesas que vou enfrentar.

    Claro que tendo alguma almofada financeira me permite respirar com alguma folga, até porque muita coisa pode acontecer e correr mal.

    A minha questão é esta, devo amortizar parcialmente a divida ou devo manter tudo como está pelo menos enquanto a Euribor está baixa e se subir amortizar nessa altura e manter o dinheiro que tenho como segurança se não conseguir fazer face a todas as despesas mexer então.

    Obrigado
    Teresa

    1. Olá Teresa.

      Na minha opinião penso que ficar descapitalizada não é solução mesmo que pague a sua divida.

      Visto as taxas atualmente estarem baixas no seu lugar eu amortizaria um valor com o qual me sentisse confortável. Por exemplo 5.000€ mantendo o prazo o que fazia que a sua prestação fosse ainda mais baixa. Imagine que a prestação era 300€ e com esta amortização passava a sua prestação passava por exemplo para 250€. Eu continuava todos os meses a pagar os 300€ (50€ extra de amortização) fazendo com que a divida fosse menor todos os meses.

      Quando a sua filha fosse para a Universidade avaliaria as despesas e via o que era possível fazer. Não se esqueças de tentar sempre as bolsas de estudo e caso esteja deslocada as residências de estudantes de modo a reduzir o máximo as despesas.

      Fica a ideia para pensar.

      Cumprimentos e boas decisões.

      1. Obrigado pela sugestão, também foi uma opção que considerei, amortizar uma parte para descer a prestação e desta forma conseguir pagar as 2 coisas.

        Talvez por me ter separado muito nova, tinha 25 anos na altura e ter ficado com a responsabilidade de pagar uma casa e sustentar uma filha com menos de um ano com um pai que pouco ligou as suas responsabilidades financeiras, me assuste ficar sem dinheiro de lado, que é sempre uma almofada de segurança.

        A minha filha aos 15/16 anos descobrimos que tem uma doença neuromuscular e autoimune ou seja crónica, e nas piores fases da doença foi uma despesa enorme pois esteve internada quase um mês, entre não poder trabalhar e viagens a Coimbra foi muito difícil, assusta-me que alguma coisa destas volte a acontecer e não ter dinheiro de lado.

        Quando ela for para a universidade vou tentar uma bolsa de estudo, qualquer coisa que vier sempre ajuda, ela já teve tantos problemas tão nova que não quero de forma alguma o dinheiro a impeça de estudar.

        Obrigado

        Teresa

    2. Olá, Teresa. Do meu lado, tive a sorte de nunca ter tido de fazer um crédito habitação, pelo que não sei inteiramente como eles funcionam — em termos de juros variáveis, penalizações, e afins, por exemplo.

      De uma forma mais generalizada, diria o seguinte:

      1- se vais precisar do dinheiro em breve (ou pelo menos de uma boa parte dele), neste caso para a faculdade da tua filha, talvez seja melhor guardá-lo para isso;

      2- se os juros são baixos, então a questão importante é: a prestação “dói” muito? Se já a pagas há 15 anos, imagino que já seja tipo “faz parte da mobília”, já é paga sem sequer pensares nisso, não ficas cada mês “à rasca” por ainda não te teres habituado a ter essa despesa regular. Claro que seria bom, por outro lado, não ter essa despesa, mas se a forma de acabar com ela é eliminar as poupanças, talvez não compense. Até porque…

      3- … essas poupanças podem, talvez, ser aplicadas de forma a render mais do que os juros que pagas do crédito habitação. Neste caso, como há a questão da faculdade da filha, talvez seja melhor um investimento com menor risco (ex. obrigações), já que nunca se sabe como é que as bolsas vão estar daqui a um ano (se bem que a longo prazo esse é, historicamente, o melhor investimento).

      Outra hipótese seria uma amortização parcial, como o Bruno sugeriu; talvez seja uma ideia que faça sentido, seja para pagar mais depressa, como ele sugere, seja para reduzir a prestação.

      Espero que isto ajude de alguma forma. 🙂

    3. Olá Teresa,

      Como disse num comentário anterior trabalho na àrea da banca e neste sentido vou dar a minha opinião/ajuda sobre a “complicada” questão das amortizações. :-). Mais tarde poderemos abordar novos temas!

      Neste momento a Taxa Euribor está negativa (e segundo a banca ainda vai continuar baixa por mais algum tempo), neste caso não vale a pena fazer a amortização total do empréstimo , mesmo que o montante em divida seja baixo e que tenha o valor pela totalidade para o fazer, até porque, tal como disse Teresa, a filha vai para a Faculdade e o montante que tem poderá ser uma ajuda.

      Sendo assim, o que poderá fazer, é como temos visto aqui nos comentários, fazer amortizações antecipadas de baixo valor (entre 1250 euros e 2500 euros) digo estes valores porque há bancos que só aceitam uma amortização anual de 2500 euros mas no caso de ser 1250 euros, estas podem ser feitas mais do que uma vez por ano. Mas por norma as instituições de crédito não estipulam um valor mínimo a reembolsar. É uma questão que poderá colocar junto do seu Banco.

      Nas amortizações parciais a Teresa também várias opções:
      – Amortizar na prestação; (para mim seria a opção, assim ajudaria no equilíbrio orçamental)
      – Amortizar ao prazo;
      – ou, Amortizar em ambas (prazo e prestação).

      Apenas deverá avisar a entidade com sete dias úteis de antecedência, no mínimo. Neste tipo de amortização, esta deverá coincidir com a data de pagamento da sua prestação mensal.

      Note-se que o valor da comissão de amortização poderá variar entre instituições financeiras e entre o tipo de taxa de juro contratada – fixa ou variável – mas existe um tecto máximo a reter:

      – Nos contratos de crédito com uma taxa de juro variável, a taxa de amortização não pode ser superior a 0,5% do capital reembolsado;

      – Já nos contratos com uma taxa de juro fixa, a comissão não pode ultrapassar os 2% do capital reembolsado.

      No entanto, deve ter em conta que tem obrigatoriamente de informar o banco com alguns dias de antecedência (7 dias úteis no caso de um reembolso parcial e 10 dias úteis no caso de um reembolso total).

      Tenha em conta que no reembolso antecipado, ao montante da comissão aplicada, somam-se anda os juros devidos até à data.

      Agora Teresa é só fazer algumas continhas e falar junto do seu banco para saber as condições que lhe vão ser aplicadas pois estas podem variar entre bancos (consulte o contrato do seu empréstimo para o efeito).

      Ah, e vá preparada, no Banco vão tentar dissuadi-la de fazer amortizações ou impingir outros produtos, porque “esses meninos” não gostam de perder dinheiro.

      Vá em frente… e boa sorte para o futuro da sua menina.

      Estarei sempre por aqui para dar mais umas dicas! 🙂

  6. Boa tarde,
    Obrigada pelas diversas opiniões, e parabéns a todos..
    Muito bom ver o ovelhaostra.com tão participado. Está aqui um “fórum” bastante interessante 😀

    No meu caso, neste momento o crédito automóvel tem a taxa mais alta e o valor maior, mas sou sincera, quero tanto acabar com o crédito habitação para que finalmente a casa seja só minha… 🙂
    Além de que no caso do carro a prestação é fixa do início ao fim do crédito – seguro de proteção ao crédito já incluído, e no caso da casa o valor da prestação vai mexendo conforme as taxas de juros e também os seguros agregados a este crédito vão aumentando conforme o tempo/idade…

    Em resposta à Teresa, se a prestação que tem atualmente for confortável, se fosse eu talvez amortizasse por agora +-2500€ e reduzia o tempo de modo a ficar com uma prestação semelhante à que tinha:
    – Assim reduzia um pouco a dívida, mesmo que não muito é um bom valor;
    – A penalização por fazer amortização parcial é baixa (amortização parcial costuma ser 0.5%+imposto – deve dar uns 10€ e pouco provavelmente);
    – Ficava a pagar ainda menos juros – e mesmo que agora não note muito, se fizer as contas é mais esse dinheiro que fica para si e não para o banco;
    – Ficava com uma ideia de como o banco funciona com amortizações parciais extra (em alguns é mais simples que noutros.. No meu caso (Millennium) quando quero amortizar tenho que ir à sucursal onde fiz o crédito e tenho que assinar toda a papelada do aditamento, que ainda demora um bocadito);
    – Possivelmente quando disser que quer amortizar vão “oferecer” um PPR ou outro “produto”.. Assim eles ficam lá com o nosso dinheiro mais algum tempo… Deve ir focada no que pretende.
    – Tentava também atualizar os seguros associados ao crédito: pelo menos o seguro de proteção ao crédito – no meu caso esse seguro não atualiza automaticamente conforme o valor em dívida (há situações/bancos em que atualiza automaticamente, ver posts do Contas-Poupança relacionados com o crédito habitação).. Ou seja, percebi há pouco tempo que estava a pagar o seguro sobre valor inicial da dívida em vez de pagar sobre o valor que devo atualmente.. Estava a pagar muito mais de seguro/mês que o que devia, e já uma por uma ou duas vezes tinha perguntado ao gestor de conta se podia atualizar esse valor e ele desvalorizou e não atualizou..
    – E, principalmente, ia vendo como a vida corre.. Daqui a mais algum tempo (6 meses/1ano por exemplo) fazia nova amortização se a almofada financeira se mantivesse confortável..

    De qualquer forma, antes de ir ao banco, aconselho a simular muito e vários valores para ter uma ideia do que pedir ao banco, eu utilizo o simulador do boonzi: https://www.boonzi.pt/como-acabar-rapidamente-com-divida-simulador-amortizacoes-credito-habitacao/
    [@OvelhaOstra, não sei se é permitido partilhar links, se não for, peço desculpa]

    Em relação às despesas da universidade, cada caso é um caso.. Depende muito de para onde vai estudar e do curso..
    Nisso, eu NÃO devo ser o melhor exemplo para ficar com uma ideia: não estudei em Lisboa/Porto/Coimbra e já passaram cerca de 10 anos+-.
    Apesar de não ser tão longe de casa quanto isso, tive de arrendar quarto – 140€/mês (quarto só para mim e sala/cozinha/wc partilhados), estava a 5minutos a pé da escola – porque não tinha transporte diário da minha casa para a cidade da escola (vivo numa aldeia onde não passam autocarros) e tinha a possibilidade de os meus pais me irem buscar/levar aos fins-de-semana pelo que não gastávamos dinheiro em metro/autocarro/comboio..
    Sou filha única, e reservada, pelo que optámos por não ir para a residência de estudantes, mas também pode ser uma boa opção..
    Assim, ao domingo à noite lá iam os meus pais levar-me à cidade e levava alguma comida preparada de casa, outra fazia lá. Mesmo que comprasse alguma coisa ou saísse com os amigos (sim, também saí com os amigos e íamos jantar fora) mas não era um gasto muito muito grande.. Outras vezes jantávamos lá em casa (dividido por todos era mais barato) e depois íamos sair ou fazíamos noitadas de estudo (e aconteceu várias vezes)…

    E como disse o Bruno Alves, não esquecer de tentar sempre as bolsas de estudo (é um processo chato e moroso mas é uma boa ajuda).

    Tudo a correr bem e Boa Sorte! 🙂

    1. Olá, Sofia. Óptimo comentário! 🙂 E, sim, também estou a gostar de ver isto tão animado. 🙂

      Respondendo (pelo menos para já) somente à pergunta que me fazes, não há problema nenhum em incluíres links. Mesmo que estivesses a partilhar algo “teu”, como um artigo num blog teu que abordasse o assunto em questão, não haveria problema, já que é algo apropriado. O que não seria aceitável seria publicidade (sobretudo genérica) e afins, mas não é obviamente o caso aqui. Desde que seja útil/aplicável ao assunto de que se está a falar, está tudo bem.

      Sem ser isso, também pode acontecer que um comentário com vários links fique automaticamente retido para moderação, mas eu sou avisado quando isso acontecer, e devo aprová-lo em pouco tempo.

  7. Muito obrigado pelas respostas, não tenho a certeza, mas acho que o meu crédito para diminuir o tempo restante já implica mais custos por isso, por isso a solução seria diminuir a prestação permitindo mais alguma folga mensal e poupança enquanto a minha filha não vai para a universidade e depois talvez consiga pagar as 2 coisas, vamos ver.

    A minha prestação ao longo destes 20 anos andou sempre por volta de 300€, não é fácil mas tem dado sempre para pagar com alguma folga, por isso a ideia de baixar a prestação mas colocar sempre o mesmo valor de lado permitindo novas poupanças é uma excelente ideia.

    Ver se nas minhas férias passo pelo banco para ver as minhas opções.

    Teresa

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