Aumento de rendimentos: o passado

Ah, o passado… 🙂 Já cá ando há um bom número de anos, e, se por um lado fui, na maior parte da minha vida, relativamente consumista e imaturo em relação a questões financeiras (só há um par de anos é que comecei a ler/aprender sobre o assunto, e só este ano é que acho que finalmente ganhei (algum) juízo), por outro lado sempre tive, correctamente, a ideia de que aumentar os rendimentos é, em geral, boa ideia. Acho que pouca gente discordará disto. 🙂

Infelizmente, ter essa ideia é uma coisa, mas fazer alguma coisa de útil para a concretizar é algo bem diferente. Daí que os meus aumentos de rendimentos nos últimos anos se resumam a dois pontos:

  1. Empregos e afins: mais precisamente, mudanças de emprego, promoções, aumentos, etc.. Os resultados aqui são… mistos. Por um lado, sei que ganho relativamente bem para o país em que vivo, e tenho actualmente das maiores remunerações que já tive. Por outro lado, sei que já retrocedi várias vezes na vida: umas vezes por impulsividade (o “estou farto disto”, que me fez desempregar-me, duas vezes, antes de ter outra coisa garantida), outras por estagnação num sítio quando devia ter saído mais cedo (neste país, infelizmente, é raro ser-se aumentado sem mudar de emprego, e por isso, quando nos apercebemos que ali, por muito bons e trabalhadores que sejamos, nunca iremos “passar da cepa torta”, é, diria, altura de pensar seriamente em mudar…), e outras por ter cometido erros que agora não cometeria. Some-se a isso o facto de nunca me ter preocupado a sério com certificações e afins (excepto duas que tirei no ano passado, e que até ajudaram a obter o último aumento), e… não sei, acho que nunca fui capaz de levar um trabalho “a sério”: a minha atitude foi sempre “isto é só o trabalho, não é nada realmente importante na vida“. Sei que faço um bom trabalho quando estou motivado, mas nem sempre estou, sobretudo se não há nada interessante para aprender/fazer; além disso, “desligo” quando saio, em vez de “respirar trabalho”, como há quem pareça fazer. Nunca entrei em “joguinhos de poder”, nunca dei “graxa” a chefias, e sou, se calhar, demasiado honesto, dizendo as coisas como elas são, e não como os outros querem ouvir. E se não concordo com algo, não fico calado. Tudo isso prejudica em termos de subir a “corporate ladder”… Em resumo, podia estar bem melhor do que estou — mesmo estando numa situação que a maioria dos portugueses consideraria invejável. Se pudesse voltar 25 anos atrás no tempo, de certeza que teria planeado melhor as coisas, teria garantido que cada mudança seria para melhor, e provavelmente não estaria agora a escrever este blog…
  2. Rendimentos passivos 1: sites: infelizmente, apesar de saber sobre, e me interessar por, este conceito já há uns bons anos, acabei por, até hoje, fazer pouco com isso. Já tentei (na década passada, não nesta) escrever blogs com a ideia de estes serem realmente populares (leia-se milhares de acessos por dia) e ganhar assim algum dinheiro com publicidade e, possivelmente, links de afiliados 1. Mas não só me interesso/escrevi sobre temas ou menos populares ou, paradoxalmente, muito concorridos, como tenho alguma tendência — e já se viu isso aqui neste blog — para abrandar quando passa o entusiasmo inicial. 

    Sem ser isso, já criei e geri durante uns anos vários fóruns, alguns dos quais chegaram a ser bastante populares em Portugal, mas, sem ter grande tempo para lhes dar a atenção necessária, acabei por os vender. Em termos financeiros, pode-se considerar isto um sucesso (além de ter sido divertido, e ter conhecido pessoas com quem ainda mantenho “amizades Facebookianas”), se bem que com um pouco mais de juízo poderia ter feito aqui muito mais dinheiro… Story of my life. E, por último, há os mini-sites que ainda me dão algum dinheiro extra todos os meses, mesmo agora. São vários geradores e ferramentas, alguns baseados em coisas que já tinha programado no ZX Spectrum nos anos 80, outros totalmente novos. Não dão o suficiente para viver deles (isso podia ser diferente… mais uma vez, subaproveito tudo 🙁 ), mas ainda dão dinheiro “palpável” (com 3 dígitos) todos os meses, o que é bem mais do que o que pago por eles (aluguer de servidores, renovação anual de domínios). Mas, mais uma vez, já devia ter feito bastante mais com isso… 🙁 Parte do problema é a falta de ideias, e parte é o facto de que o que acho piada a fazer, em geral, são coisas ou que já existem (e que faço só pelo desafio), ou coisas de interesse e/ou possibilidades de monetização muito reduzidos (ex. tenho um gerador de poesia, em inglês. Teve piada fazer, é divertido mostrar às pessoas… mas não dá dinheiro).
  3. Rendimentos passivos 2: investimentos: nos últimos dois anos, depois de (como mencionei acima) ter começado a interessar-me/ler sobre finanças, experimentei fazer vários investimentos, tanto em acções individuais como em “index funds”. E… posso dizer que não perdi propriamente dinheiro com isso (já que os mercados têm estado relativamente estáveis), mas também não ganhei (além de os valores investidos serem ridiculamente baixos, o que não daria dinheiro palpável mesmo que os mercados disparassem), e esse dinheiro teria sido muito melhor empregue se usado para pagar dívidas com juros altos. Actualmente, portanto, não tenho nenhum investimento deste tipo, nem penso ter até acabar de pagar os cartões de crédito.

A seguir: o presente.

  1. links para as páginas de produtos numa loja, normalmente a Amazon, em que, se o visitante comprar o produto, eu receberia uma pequena percentagem. Não, até agora não há nenhum link desse tipo neste blog, antes que perguntem; se um dia houver, serão identificados como tal.

4 comentários em “Aumento de rendimentos: o passado”

  1. Antes de mais, obrigada pela resposta no outro post… Compreendi bem o que me quis dizer. Mas ainda tenho de aprender os conceitos financeiros básicos para depois organizar-me.

    Em relação a este post: excelente, como nos habituou. De facto, há imensas atividades que poderão dar remuneração extra, penso que, no meu caso, a motivação só é alta no início. Ideias tenho (adoro fotografia, SEO/SITES) mas acho que nunca serei boa demais para ir avante. No ano passado investi na compra de um apartamento a crédito. A renda paga a renda mensal e o que vai para as Finanças todos os meses… Não dá lucro neste momento, mas fico com o imóvel e, neste momento, penso que é a melhor forma de investimento.

    1. Obrigado. 🙂

      Investir em imóveis é algo sobre o qual já li/ouvi (em podcasts) bastante, e nos EUA parece realmente funcionar bem — se lá estivesse, quase de certeza que já me teria metido nisso. Cá… não sei, tenho a ideia de que não funciona assim tão bem, ou mais precisamente que é mais como disseste: a renda paga a prestação do crédito (e impostos), mas na maioria dos casos (a não ser que se tenha tido muita sorte no investimento, seja num sítio cuja procura aumente imenso depois da compra, etc.) não dá propriamente lucro. Mas, também, isso é só a vaga ideia que tenho, e admito saber pouco sobre isso.

      Já agora, começaste a tratar-me por “tu”, mas passaste a “você” neste comentário. É como quiseres, obviamente, mas eu prefiro o “tu”. 🙂 (Isto é outra guerra minha: no “meu tempo”, na internet, e também na minha área (informática), toda a gente se tratava/trata por “tu”, mas hoje em dia (fora da informática) parece que o “você” está em ascenção.)

    1. Prazer. 🙂 Infelizmente não posso retribuir a apresentação, visto que para já (pelo menos até ter eliminado todos os cartões de crédito e estar em “velocidade de cruzeiro” a aumentar a “riqueza”) quero manter aqui o anonimato (sobretudo relativamente a familiares e colegas). Daí não partilhar nada daqui no Facebook (mas outros estão à vontade para o fazer, obviamente — até agradeço), nem, por exemplo, partilhar aqui os links para os sites que menciono neste post…

Deixar uma resposta