Guia: Comprar um PC portátil

No livro “Set for Life” de Scott Trench (que sem dúvida aparecerá eventualmente na lista de livros recomendados do blog), quando o autor fala das várias formas possíveis de aumentar os rendimentos, ele sugere, nas actividades secundárias que se escolher, tentar aproveitar sinergias com a nossa “day job”. Bem, este blog não é propriamente uma “actividade secundária” (no sentido de ganhar directamente dinheiro com ela), é mais uma forma de puxar por mim próprio e partilhar com outros o que for aprendendo, mas mesmo assim acho que posso aproveitar, aqui, o facto de ser informático 1. 🙂

Devido a essa profissão, já há décadas que familiares, amigos e conhecidos me pedem ajuda quando precisam de comprar um PC novo: “o que devo comprar?” “o que achas deste?” “qual devo escolher entre estes dois?” “isto basta para o que eu quero?“, e assim por diante. Decidi, então, criar um guia simples para qualquer um (por pouco virado para estas coisas que seja) poder ter a certeza de que está a fazer uma boa escolha, tanto em termos de servir para o seu propósito, como por ter uma boa relação qualidade/preço.

Laptop

Para começar, um disclaimer: como disse acima, isto é suposto ser um guia simples, para não-geeks. Por isso, vou estar a assumir que a ideia é comprar-se um PC portátil/laptop (hoje em dia é o que quase toda a gente prefere) novo — ou seja, não incluo coisas como 1) montar o próprio PC, 2) desktops, 3) Macs, tablets, híbridos, etc., ou 4) algo em segunda mão. Nem vou aprofundar demais as coisas (comparar arquitecturas, tipos de RAM, etc.). Vamos apenas focar-nos em responder às seguintes questões:

1 – jogos/placa gráfica?

Uma parte em geral importante (e cara, muitas vezes) de um PC é a placa gráfica (também chamada “placa de vídeo”), mas antes de olharmos para ela: o PC vai ser usado para jogos? (E aqui refiro-me a jogos “exigentes”, a usar aceleração 3D, comparáveis aos de uma consola moderna; se só se pensa jogar coisas mais “casuais” como jogos de tabuleiro, cartas, objectos escondidos, clones do Bejeweled, visual novels, etc., então a resposta a essa pergunta é, para todos os efeitos, “não“.)

Caso a resposta seja negativa, então a placa gráfica, para todos os efeitos, não importa. Sim, o PC precisa de uma para funcionar, mas qualquer laptop moderno tem sempre uma básica (Intel, normalmente) integrada na motherboard, que, para browsar na web, usar chats, usar o Office, etc. — além dos tais jogos “casuais” mencionados acima –, é indistinguível de uma placa de topo de gama dedicada (mas a geração da placa integrada importa: ver ponto 7, abaixo). Resumindo: se não é para jogos “exigentes”, então não só não nos devemos preocupar com a placa gráfica, como até é preferível evitar sistemas com uma dedicada, já que se estará inevitavelmente a pagar por ela.

2- tamanho do ecrã?

Isto importa bastante (sobretudo se não se pensar usar um monitor externo a maior parte do tempo), mas depende dos gostos/necessidades de cada um. Para mim, quanto maior melhor (17″ pelo menos), mas muita gente prefere mais pequeno (ex. 15″, ou até inferior), para ser mais fácil de transportar. Em termos de preço, maior em geral equivale a mais caro.

3- memória?

Quanto mais, melhor, mas obviamente que também se paga. Para um PC novo, acho que menos de 8 GB será de evitar, se bem que se for só para Office, browsing, email, etc., talvez seja possível desenrascarmo-nos com menos. Para jogos modernos, desenvolvimento aplicacional, edição de vídeo, etc., diria que 16 GB é o mínimo razoável.

4- processador?

Para jogos ou outras coisas exigentes, preferir um i5 ou i7 da última geração (ver ponto 7). Para utilização mais casual, o processador não é tão importante, se bem que, mais uma vez, é sempre desejável escolher um recente.

5- disco?

Em teoria quanto mais melhor, mas para uma utilização mais casual, em que se instala pouca coisa após os primeiros dias (e sem se pensar em encher a máquina de filmes, fotos, etc.) nem é preciso assim tanto (uns 250 GB devem ser mais que suficientes 2). Alguns PCs incluem também um disco SSD, bastante mais rápido mas também mais pequeno, normalmente usado para o sistema operativo (entre outras coisas, faz o PC arrancar muito mais depressa) e uma ou duas aplicações mais usadas; é desejável, mas pode não valer a diferença de preço.

6- marca?

Não considero importante (no caso de portáteis, são sempre de marcas vagamente conhecidas, por isso nem se põe a questão “marca conhecida ou marca branca”).

7- geração/data de lançamento?

Este é o “meu” truque, que muita gente desconhece ou ignora: preferir sempre um PC lançado este ano. Muitas lojas incluem em catálogo PCs lançados no ano anterior, há 2 anos, há 3 anos, etc., normalmente até um pouco mais baratos agora do que eram na altura, mas (a não ser que se saiba muito bem o que se está a fazer), deve-se evitar essas opções. Comprar um PC “actual” (2018, neste caso), mesmo que um pouco mais caro (ou com características, em termos de números (megahertz, gigabytes, etc.) equivalentes ou até ligeiramente abaixo) do que um semelhante de 2015-2016, significa em geral que os vários componentes têm arquitecturas mais modernas, sendo mais eficientes — consomem menos energia, aquecem menos, etc., e mais “future-proof”. Seja um i7 (gama alta) ou um Celeron (gama baixa), os de agora não são iguais aos de 2015 (e muito menos aos de 2010), acreditem. O mesmo (caso isso seja relevante; ver ponto 1) para as placas gráficas: uma Nvidia 10XX (actualmente a última geração), mesmo que de gama baixa, é muito mais potente, mais “fresca”, mais silenciosa, e menos “esfomeada” de energia do que uma 8XX da mesma gama, ou mesmo de vários níveis acima.

OK, agora já sabemos (supostamente) ao que ter atenção. Mas, como escolher entre as ofertas numa loja (ou de várias; não vamos aqui complicar, mas claro que é uma opção)?

Vou assumir que o objectivo é um dos seguintes:

  1. comprar um PC que satisfaça certas necessidades, pelo menor preço possível, ou
  2. comprar o melhor PC possível por X euros (assumindo também que corresponde às necessidades, claro).

O que normalmente faço (ao aconselhar alguém, e também o faria se fosse comprar outro portátil nos próximos tempos) é o seguinte: vou ao site de uma loja conhecida (Worten, Fnac, etc. — sim, pode haver melhores preços em lojas mais pequenas, e/ou usando serviços como o KuantoKusta, mas isso é depois de se escolher qual comprar: “já sei o que quero, agora deixa ver se o encontro mais barato”. A ideia de começar por essas lojas grandes é ter muita escolha, e poder ordenar as pesquisas), escolho o tipo de produto (PC portátil, neste caso), e ordeno por preço, por ordem decrescente 3

Depois, dependendo de qual dos objectivos tenho (ver acima):

  1. escolher o PC do ano actual mais barato, que satisfaça os requisitos; ou
  2. escolher o PC do ano actual com melhores características, dentro do preço que defini.

Infelizmente, nenhum desses sites permite filtrar por ano de lançamento (permitem ordenar somente por um único valor, mas já estamos a fazer isso para o preço), pelo que será preciso fazer isso manualmente (abrindo cada um dos possíveis candidatos e excluindo todos os que tenham sido lançados em anos anteriores). Mas isso só adiciona uns minutos a todo o processo.

Simples, não é? Sim, há muitos guias semelhantes na internet, mas em geral dedicam-se a utilizadores mais “hardcore”, que montam os seus próprios computadores; achei que havia pouca informação para quem só quer comprar um PC numa loja, e não sabe por onde começar, como escolher, ao que ter atenção, etc.. E, sendo em parte sobre poupança, não foge ao tema do blog. 🙂

  1. administrador de sistemas, mais precisamente
  2. O meu PC do trabalho, que já uso há uns anos, tem 131 GB ocupados, que incluem o sistema operativo, todas as aplicações de trabalho, e até alguns jogos
  3. esta última parte é gosto pessoal; estejam à vontade para ordenar por ordem crescente se forem muito estranhos preferirem :)

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