Mais juros compostos: o poder de começar mais cedo

Como ainda não vos chateei o suficiente sobre juros compostos, partilho aqui uma demonstração (isto faz-se em um minuto ou dois com uma folha de cálculo tipo Excel) de como, mais do que investir “muito”, o importante é começar cedo.

Tal como no post anterior, vamos assumir que os juros conseguidos são 5% ao ano (como passo a vida a dizer, isso é menos do que a média histórica de um index fund de S&P500 nos últimos 30 anos, por isso é uma estimativa conservadora). Vamos criar aqui duas novas personagens para o exército OvelhaOstra: a Anabela e a Beatriz (sim, as iniciais serem A e B é intencional 🙂 ). Ambas vão investir, tal como a Rita no exemplo anterior, 100€/mês (ou 1200€/ano), durante 25 anos, mas com uma diferença fundamental:

  • a Anabela começa cedo (no ano 1), mas deixa de investir nos últimos 5 anos (anos 21 a 25), ficando só a ganhar juros do que já tem investido;
  • por outro lado, a Beatriz não investe nada nos primeiros 5 anos (anos 1 a 5), mas depois disso investe regularmente até ao ano 25.

Por outras palavras, no fim dos 25 anos, cada uma investiu 1200€ por ano durante 20 anos seguidos (total de 24000€). Como é que acham que as nossas amigas vão estar no fim do ano 25? Mais ou menos na mesma (afinal investiram a mesma quantia, no total)? Ou uma delas terá um pouco mais?

Que tal mais de 10000€ de diferença, a favor da Anabela?

Anabela vs. Beatriz – 25 anos

Querem um gráfico? Arranja-se um gráfico:

Anabela vs Beatriz - gráfico
Anabela vs Beatriz – gráfico

Reparem como, depois do ano 20, a Anabela “abranda” um pouco (por parar de investir), mas  mesmo assim o avanço que tem é mais que suficiente para acabar com 10K€ a mais do que a rival amiga.

Querem mais? Vamos supor que a Beatriz tenta recuperar o tempo perdido e, nos últimos 5 anos, investe o dobro: 2400€/ano. Acham que chega para alcançar a Anabela, que nesses 5 anos continua a não investir mais nada? A resposta é não. Mostrando somente os últimos anos:

A (quase) vingança da Beatriz

Como podem ver, a Anabela continua com uns 4300€ a mais. Ou em gráfico:

A quase-vingança da Beatriz

Em resumo: começar cedo é o mais importante aqui, já que mesmo parando de investir, depois de certo ponto os juros compostos fazem os investimentos continuar a crescer sozinhos. E, para recuperar o tempo perdido, é necessário um investimento bem maior — neste exemplo, vimos que mesmo duplicando o investimento nos últimos 5 anos, não se alcançou quem simplesmente começou 5 anos mais cedo.

4 comentários em “Mais juros compostos: o poder de começar mais cedo”

  1. Boa tarde, novamente

    Ler as tuas publicações, estas duas ultimas por exemplo, tinham-me ajudado muito em 2017. Altura em que me debati com essas curiosidades. 🙂

    Mas, certamente ajudarás e, espero que assim seja, aqueles que se iniciam agora na preocupação de juntar/poupar/investir.

    Nada me “promete” a mesma rentabilidade, é certo, mas ainda ando aqui a tentar “virar-me” com a S&P500 😀

    Boa continuação 🙂

    1. Obrigado mais uma vez. 🙂

      Quanto a investir no S&P500, eu penso eventualmente fazer um post mais detalhado, mas o blog Investir na Bolsa tem um post sobre exactamente isso, pela DeGiro. Essa forma é provavelmente a mais simples (se bem que não necessariamente a mais fácil — já lá vamos) e mais económica: implicaria, todos os meses, transferir dinheiro para lá, e comprar o máximo de unidades do ETF em questão que o dinheiro transferido (somado a quaisquer dividendos recebidos) permita. Repetir todos os meses. Dá para automatizar as transferências (pelo banco), mas, tanto quanto sei, as compras propriamente ditas não.

      Uma alternativa seria usar algo como o ETFmatic, que estou a usar para a minha experiência, mas escolhendo só algo tipo 90-100% S&P500 (eu estou a usar outro tipo de portfolio, quase de certeza inferior em termos de resultados, para também comparar as várias zonas geográficas de investimento). Neste caso é só mesmo uma questão de automatizar (ou fazer manualmente) transferências mensais, e eles tratam de tudo o resto, incluindo compra e venda de ETFs para se aproximar do portfolio tanto quanto possível, e reinvestimento de dividendos. E as tarifas parecem-me bastante boas, se bem que nesse aspecto ainda não fiz propriamente grandes contas.

      1. Também li a publicação do blogue Investir na Bolsa que referes, na altura não me pareceu nada de difícil, isto claro, numa primeira impressão, porque não abri conta na DeGiro nem pensei em investir pelo método apresentado.

        O meu interesse seria mesmo pela segunda abordagem que fazes. Colocar “lá” o dinheiro e tratarem-me do resto, mas pagar por isso… :/

        Ficarei deste lado, a aguardar a analise detalhada da tua parte 🙂

        1. Confesso que sou um bocado despassarado em termos deste tipo de custos 🙂 , mas acabei de ir ver, e no ETFmatic:

          0.48% + ETF costs

          The total ETF issuer fees of your portfolio (also known as Total Expense Ratio) will depend on the asset allocation (weights) you have selected. The average TER of ETFs in our Portfolios is 0.12%.

          À volta de 0.6% do valor investido, por ano. Não me parece muito horrível… 🙂

          P.S. – não, não tenho qualquer relação com eles, excepto de cliente (muito pequeno, ainda). 🙂

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